Livros • Home• Revista 15/1/2008
ROMANCE
A Chave de Casa
Mariane Morisawa

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Tatiana Salem Levy: viagem em busca das raízes

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"SE NÃO sangra, a minha escrita não existe. Se não rasga o corpo, tampouco existe. Insisto na dor, pois é ela que me faz escrever", justifica a narradora de A Chave de Casa (Record, 208 págs., R$ 32), romance de estréia de Tatiana Salem Levy. O peso nos ombros que a protagonista carrega vem de passagens doloridas que nem sempre são suas. E que, por isso, doem ainda mais.

Neta de judeus turcos, Tatiana nasceu em Lisboa, onde seus pais se exilaram durante a ditadura militar no Brasil. Assim como sua personagem, que recebe do avô a chave de sua casa em Esmirna e a determinação de encontrar a fechadura - e suas raízes. "Queria voltar a andar, encontrar o meu caminho. E me parecia lógico que se refizesse, no sentido inverso, o trajeto dos meus antepassados ficaria livre para encontrar o meu", diz a protagonista. A busca da identidade a leva à Turquia e a Portugal, num misto de encontros e desencontros, identificação e estranheza, com sua herança.

Em sua memória, mistura-se a dor da mãe torturada na ditadura, a doença que a levou, um amor violento, a história de seus avós. Como na memória, o livro alterna as lembranças, que aparecem sem ordem definida, mas sempre cheias de sentimento, em frases fortes. E assim, A Chave de Casa revela uma das mais promissoras autoras jovens da literatura brasileira recente.

Tatiana Salem Levy mostra-se uma das mais promissoras autoras da nova geração