Cinema • Home• Revista 15/1/2008
DRAMA
O Caçador de Pipas
Atuações marcantes dão sustentação a drama hesitante baseado no best-seller

Mariane Morisawa

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Fotos: DIVULGAÇÃO
Os ótimos Ahmad Khan Mahmoodzad (à esq.) e Zekeria Ebrahimi em O Caçador de Pipas

UMA CRIANÇA comete um ato egoísta e maldoso e, adulta, busca consertar seu erro. É a trama de Desejo e Reparação, que está em cartaz, e também deste O Caçador de Pipas. Mas os filmes são bem diferentes, a começar por seu material de base, os livros de Ian McEwan e Khaled Hosseini, respectivamente.

Dirigido por Marc Foster, O Caçador de Pipas tem como personagens principais os amigos inseparáveis Amir (Zekeria Ebrahimi) e Hassan (Ahmad Khan Mahmoodzad), que moram em Cabul, capital do Afeganistão. O primeiro é dono da casa, o segundo, filho do empregado. A lealdade de Hassan para com Amir é incondicional. O contrário não acontece, quando Amir presencia o estupro de Hassan e, ao invés de apoiá-lo, volta-se contra o amigo.

O Caçador de Pipas é um drama sobre lealdade, amizade e busca de uma segunda chance, em condições difíceis. Mas, estranhamente, é hesitante e quase não deixa vestígios ao final, a não ser pela marcante atuação das crianças e do estupendo Homayon Ershadi, que faz o pai de Amir. Dividido em conflitos étnicos, invadido pela União Soviética, tomado pelos talebãs e agora ocupado pelos Estados Unidos, o Afeganistão não é simples. No longa, houve uma preocupação em aliviar o peso da política, que virou mero fornecedor de obstáculos para a reparação de Amir. Mas, num lugar como Cabul, ela não pode ser ignorada. A prova vem de fora das telas: os atores-mirins foram retirados do Afeganistão, por medo de que sofressem represálias.