Cinema • Home• Revista 15/1/2008
AÇÃO
Eu sou a lenda
Will Smith é o único ator em cena em 80% do filme - e não cansa o espectador

Mariane Morisawa

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Will Smith em Eu Sou a Lenda: cientista é sobrevivente de epidemia mundial

CONFIANTE, esse Will Smith. Não que não tenha motivos: é o astro que mais fatura nos Estados Unidos hoje em dia. Mas para qualquer grande estrela é um desafio encarar o papel do último homem sobre a face da Terra, como o Robert Neville de Eu Sou a Lenda, nova adaptação do romance de Richard Matheson. Precisa ser carismático a ponto de ter índice de rejeição zero, já que o ator é o único em cena durante 80% do filme – mais para o final, aparecem a brasileira Alice Braga e o menino Charlie Tahan. E necessita ter domínio da arte de atuar, porque o longa dirigido por Francis Lawrence (Constantine) alterna ação, ficção científica, suspense e drama. Não é mesmo para qualquer um. Na bilheteria, deu certo: nos Estados Unidos, foram US$ 228 milhões até agora e a maior abertura da história do mês de dezembro, superando os três Senhor dos Anéis e As Crônicas de Nárnia, entre outros. Na tela, também.

Neville é um cientista das Forças Armadas, que tentou desenvolver uma vacina para conter o vírus criado pelo homem para exterminar o câncer. Em vez disso, 99% da população mundial pereceu. Entre os sobreviventes, estão os imunes como ele e os Infectados, que viraram zumbis e atacam outros seres com sangue limpo. O protagonista reina numa Nova York totalmente abandonada. Na impressionante seqüência inicial, seu carro só encontra mato e veículos abandonados pelas ruas normalmente apinhadas de movimento de Manhattan. Mesmo que alguns efeitos especiais decepcionem, principalmente os cervos e leões digitais que aparecem logo no início, não se deve desistir do filme. Porque, em seguida, vêm paisagens inéditas dessa Nova York desabitada e seqüências com doses certas de ação e suspense.

E drama. Porque, apesar de Manhattan ser o parque de diversões particular de Robert Neville/Will Smith, para sobreviver é preciso ser muito forte. E não é fácil ter como única companhia um cachorro, a simpática pastora alemã Sam, e os manequins das lojas espalhados pela cidade. A fronteira entre sanidade e loucura tornase tênue. Por isso que, quando a brasileira Anna (Alice Braga, que está à altura de Will Smith) entra em sua vida, o protagonista tem dúvidas de sua real existência. É ela a trazer a fé ao pragmático cientista. Uma esperança de que há saída, mesmo quando as pontes que ligam você ao mundo foram destruídas.