Paternidade • Home• Revista 15/1/2008
Paulo Borges em jornada dupla
Às vésperas da 24ª edição da SP Fashion Week, Paulo Borges encara o desafio de conciliar a dedicação como pai com o comando da maior semana de moda do país

TEXTO BIANCA ZARAMELLA

10h15
Paulo Borges toma café da manhã com o filho Henrique, de 2 anos, em sua casa no interior paulista, e relaxa no sofá antes de um dia de trabalho intenso

Paulo Borges está dedica-se com afinco a uma recente experiência: ser pai. Aos 45 anos e solteiro, o idealizador da SP Fashion Week adotou há cerca de seis meses Henrique, 2 anos, em Salvador, na Bahia. Depois de meio ano de intensa convivência – segundo o pai-coruja, “espontânea e maravilhosa”, eles vão se separar pela primeira vez. De quarta-feira 16 a segunda-feira 21 Paulo assume o comando de mais uma edição da maior semana de moda do País e terá que deixar Henrique em casa. “Vou ficar indo e voltando, mas acho que não vai ter problema. Ele sente falta e fica me chamando, mas é a vida de uma criança normal nesta era em que todos os pais trabalham”, conta o empresário em sua chácara em São Roque, a 56 km da capital paulista. É neste refúgio de natureza exuberante que eles passam a maior parte do tempo juntos, entre brincadeiras na piscina e sessões de desenhos animados. Para cuidar do menino, Paulo conta com a ajuda de Cristina, sua governanta há 15 anos, e da babá Cíntia. “Henrique tem uma energia incrível. Se deixar, fico horas brincando com ele”, diz, enquanto toma seu café da manhã. “Vem, papai”, chama o garoto, ansioso ao lado do carro de controle remoto e dispensando o copo de leite oferecido por Paulo. O menino não pára: brinca com o carrinho, corre, sobe e desce várias vezes do colo do pai, que leva tudo com a maior paciência do mundo. “Já havia treinado com meus sobrinhos, acho que tenho o dom”, brinca. O encontro entre os dois não demorou muito para acontecer. O empresário, pai solteiro, não passou por nenhum problema legal para adotar o menino e as coisas foram mais fáceis do que ele imaginava. “É tudo um mito. O processo burocrático é muito simples. O que demanda é uma entrega emocional, minha e de qualquer um”, revela. A experiência da paternidade tem sido tão boa que ele planeja adotar outras crianças. “Acho que Henrique vai pedir um irmaõzinho. Já falou nisso uma vez, mas vou esperar um pouco.”

10h35
Pausa para uma corrida de carrinho de controle remoto, uma das brincadeiras preferidas do garoto

Na quinta-feira 10, seis dias antes da abertura da SPFW, Gente acompanhou um dia da intensa rotina de trabalho de Paulo. Entre um compromisso e outro, ele antecipou as novidades da edição de inverno e falou sobre a concorrência com o Fashion Rio.

A SPFW tem 13 anos.O evento está mais maduro?
A gente sempre tratou a SP Fashion Week como uma plataforma de moda. Foi através dela que o mercado foi se organizando. Estamos em busca de uma identidade para a moda brasileira do ponto de vista do negócio, da organização e do profissionalismo. Isso está realmente acontecendo.

Foi divulgado o interesse do publicitário Nizan Guanaes em comprar os direitos da SPFW. Agora ele planeja o lançamento do Rio Fashion Summer. Como vê a movimentação do mercado?

Sempre tem muita especulação. É obvio que a SPFW como negócio, empresa de eventos e de conteúdo tem um valor. Existem várias ofertas de fusão e aquisição. Se houver alguma proposta interessante, vamos fazer negócio. São evoluções naturais num mercado capitalizado.

10h55
No carro, Paulo confere a agenda do dia antes de seguir para São Paulo

Como assim?
Quando começamos com o Morumbi Fashion havia marcas do Brasil inteiro. Logo depois, vários shopping centers do País começaram a criar eventos de moda com o nome fashion. Apareceram o Crystal Fashion, o Recife Fashion e várias outras semanas de moda regional. No caso do Rio, começaram a fazer um esforço para fazer um evento de moda semelhante à SPFW, com as mesmas características.

Existe realmente uma concorrência?
Eu já discuti isso e fui em alguns momentos mal interpretado. Acho que as pessoas achavam que eu tinha algum tipo de medo, implicância ou ciúme. Isso não é verdade, ao contrário. Eu quero é que a moda no Brasil se estabeleça e cresça. A opção da minha vida é trabalhar com moda.

Fotos: ROGERIO ALBUQUERQUE
12h20
Pose para o fotógrafo Paulo Giandalha na loja Forma, um dos patrocinadores da SP Fashion Week