Sucesso • Home• Revista 15/1/2008
Alice Braga conquista Hollywood
A atriz revelada em Cidade de Deus lança Eu Sou a Lenda, protagonizado por Will Smith, e trabalha com Jude Law,tornando-se a brasileira de maior destaque nos EUA desde Sonia Braga, sua tia

TEXTO MARIANE MORISAWA

STARTRAKSPHOTO
Alice Braga na pré-estréia de Eu Sou a Lenda, em Nova York: “Aquele monte de fotógrafo pode ser intimidante. É um mundo novo”

"Nossa, você leu meu pensamento!", diz Alice Braga para sua irmã, Rita, quando ela lhe traz uma lata de Coca-Cola. A atriz começava a demonstrar o cansaço de quem havia chegado naquela manhã do Canadá, para passar o Natal com a família, praticamente sem dormir no avião. Faz mais de um ano que tem sido essa correria, desde que ela foi convidada para contracenar com Will Smith em Eu Sou a Lenda, primeiro de seus filmes hollywoodianos a estrear no Brasil, na sexta 18. Como Alice não teria como vir de Toronto, onde terminava de rodar Repossession Mambo, com Jude Law, para estar ao lado de Will no evento de lançamento do longa no Brasil, na segunda 14, ela deu um jeito de atender à imprensa na folga do final do ano.

“Tento não ficar pirando muito na expectativa, estar ao máximo com o pé no chão”
ALICE BRAGA, SOBRE A REPERCUSSÃO DO FILME EU SOU A LENDA

Desta vez, pelo menos, ela veio. Na virada de 2006 para 2007, comprometida com as filmagens de Eu Sou a Lenda, decidiu não passar Natal e Ano-Novo no Brasil. “Como o personagem não vive uma vida normal, e era um desafio grande, queria estar ali para o que desse e viesse”, conta Alice, que foi diariamente ao set, mesmo quando não filmava. Ela interpreta Anna, sobrevivente da epidemia que matou 99% da população mundial. O personagem principal é o cientista Robert Neville (Will Smith), que tenta obter a cura numa Manhattan deserta. Naquelas festas do fim de ano, teve a visita do pai, o jornalista Ninho Moraes, no apartamento que alugou no East Village. “É um bairro que me lembra a Vila Madalena (em São Paulo), que me lembra o Brasil. Porque é daqui que eu venho, daqui que eu sou”, diz ela, que sentiu falta de pão de queijo, misto quente e açaí nos oito meses de filmagem.

Frio na barriga
O desafio grande a que Alice Braga se refere são muitos. Revelada por Fernando Meirelles em Cidade de Deus, ela fez Cidade Baixa, ao lado de Lázaro Ramos e Wagner Moura, e A Via Láctea, de Lina Chamie. Nenhuma dessas produções, obviamente, compara-se em tamanho a Eu Sou a Lenda, com orçamento estimado em US$ 150 milhões e estrelado pelo maior astro da atualidade. A primeira prova foi justamente o teste ao lado do ator. “Senti um superfrio na barriga, porque é o Will. É um pouco intimidante. Mas foi maravilhoso, porque é um cara generoso”, diz ela, contratada no dia seguinte. Originalmente, a personagem que mais aparece com Will Smith no filme seria britânica. No trabalho, aprendeu a admirá-lo. “Ele é fascinante porque trabalha todo dia para ser melhor: melhor ator, melhor ser humano, melhor pai, melhor marido.”

“Definitivamente, ela tem futuro. É boa atriz, ótima pessoa e muito carismática”
FRANCIS LAWRENCE, DIRETOR DE EU SOU A LENDA

Alice teve um treinador para ficar confortável com o inglês e se preparou fisicamente, com exercícios e dieta, para perder peso – foram seis quilos. “Minha mãe não gostou muito. Mas foi bacana passar por esse processo, porque traz fisicamente uma sensação do que é sobreviver.” No primeiro mês, só proteína e vegetais, sem nenhum tempero. Corria 8 quilômetros de manhã e andava mais 5 à noite. “É divertido, porque diferente de tudo o que já fiz.”

Divertido e engraçado são as duas palavras mais utilizadas por Alice Braga esses dias. O primeiro dia no set de Eu Sou a Lenda, por exemplo. “É divertidíssimo um set grande, é meio Disneylândia”, diz ela, acostumada à estrutura infinitamente menor dos filmes brasileiros. “Mas fazer cinema é uma coisa só, é igual em todas as partes do mundo, seja uma grande produção ou uma produção de baixo orçamento.” Também é engraçado ter um trailer e uma assistente pessoal. E até dar uma entrevista atrás da outra, em sua primeira junket (evento para a imprensa, com dezenas de entrevistas por dia), foi divertido. Ela também achou que atravessar o tapete vermelho de uma pré-estréia hollywoodiana foi engraçado. “Aquele monte de fotógrafos pode ser intimidante. É um mundo novo.” A atriz de 24 anos sabe que todos os olhos estão voltados para um filme com Will Smith. Este, em particular, teve a maior bilheteria de abertura para uma estréia em dezembro. “Só tento não ficar pirando muito na expectativa, estar ao máximo com o pé no chão e pensando no presente”, diz ela, que está sem namorado não por falta de tempo, mas “porque não se apaixonou”.

O futuro, no entanto, parece brilhante. Elogiada por publicações como Variety e The New York Times por Eu Sou a Lenda, Alice tem outras incursões hollywoodianas para estrear: Redbelt, dirigido por David Mamet, Crossing Over, estrelado por Sean Penn e Harrison Ford, e Repossession Mambo, no qual é par de Jude Law. Tal currículo a torna a atriz brasileira mais bem-sucedida nos Estados Unidos desde Sonia Braga – que, por acaso, é sua tia. “Definitivamente, ela tem futuro”, diz o diretor Francis Lawrence, de Eu Sou a Lenda. “É boa atriz, ótima pessoa e muito carismática.” Alice sabe que já tem uma carreira em Hollywood, mas prefere não fechar portas. “Tenho uma carreira de atriz, onde quer que seja”, diz ela, que também rodou curta de Jorge Furtado, está em Blindness, de Fernando Meirelles, e se prepara para ser dirigida por Marco Ricca em Cabeça a Prêmio, mas adoraria trabalhar na Espanha e na Argentina. Alice vai aonde o trabalho a levar. Mas garante não ser capaz de abandonar o Brasil.

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