Cinema • Home• Revista 8/1/2008
Desejo e Reparação
O diretor Joe Wright transpõe com beleza obra-prima do escritor Ian McEwan

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James McAvoy e Keira Knightley concorrem ao Globo de Ouro por suas atuações em Desejo e Reparação

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NÃO É EXAGERO nenhum dizer que Reparação, de Ian McEwan, é um dos melhores livros dos últimos 25 anos. Portanto, a tarefa de transpor a obraprima para o cinema já não seria fácil. Mais ainda porque McEwan escreveu um romance que se passa em grande parte na consciência dos personagens. Mas Desejo e Reparação, dirigido pelo jovem Joe Wright (Orgulho e Preconceito), é um belo filme, que concorre a sete Globos de Ouro no próximo dia 13 (leia à página 74). O trabalho é milimetricamente planejado pelo diretor e ganha mais consistência com as atuações de Saoirse Ronan e Keira Knightley e, principalmente, de James McAvoy, todos indicados ao Globo de Ouro.

A trama começa no verão escaldante de 1935, numa luxuosa mansão no interior da Inglaterra. Briony (Saoirse Ronan) é uma imaginativa garota de 13 anos de idade que acaba de escrever uma peça de teatro. O barulho tenso das teclas de sua máquina de escrever tornam-se a música que rege o longa. Pela janela do quarto, a menina vê sua irmã Cecilia (Keira Knightley, de Piratas do Caribe) tirar a roupa e mergulhar numa fonte, sob o olhar de Robbie (James McAvoy, de O Último Rei da Escócia), o jardineiro, que estuda graças ao patriarca da família. Mas Briony enxerga outra coisa. As visões diferentes são engenhosamente apresentadas em seqüência, sem mudanças de tons que as denunciem. Mais tarde, quando presencia o abuso sexual de sua prima, Briony não hesita em acusar Robbie. Passam pela tela um misto de ingenuidade, inveja, ciúme, preconceito.

A ação de Briony separa os apaixonados Robbie e Cecilia, e a Segunda Guerra, cinco anos depois, altera suas trajetórias de vez. Para sair da cadeira, o rapaz aceita ir para o front - a seqüência na praia de Dunquerque, onde milhares de soldados preparam-se para a retirada, em caos total, é notável. Cecilia torna-se enfermeira. E a jovem Briony passa a buscar a reparação de seu erro. Torna-se enfermeira também, para ajudar os feridos que chegam da França. Em seu coração, e na máquina de escrever, ela tenta consertar a ficção que criou. Mesmo que seja escrevendo outra. O filme fala de recomeços, reinvenções, segundas chances, que, na vida, nem sempre temos a chance de ter. Ainda bem que, na literatura e no cinema, sim. Mariane Morisawa