Ensaio • Home• Revista 8/1/2008
Mônica Veloso
"Eu nasci de novo"
Após um ano turbulento, a mulher que abalou a república só pensa em retomar sua rotina, cuidar das filhas e arrumar um namorado

TEXTO CLÁUDIA FONTOURA E GABRIELA PESTANA
FOTOS EDU LOPES


O turbilhão passou. Agora está tudo escrito. Mônica Veloso, a mulher que abalou Brasília, está de cabeça erguida e alma lavada. Sua versão dos fatos está impressa num livro de 192 páginas e não foi contestada. "Tudo o que é meu ficou exposto. Do interno ao externo. Ainda sinto um pouco de medo, mas estou aliviada", diz a jornalista mineira de 39 anos.

O escândalo que devassou sua vida começou no dia 25 de maio após a audiência de revisão da pensão alimentícia de sua filha com o ex-presidente do Senado, Renan Calheiros, que era bancada por um lobista. A jornalista virou notícia e viu repórteres se aglomerarem à sua porta. Para evitar a exposição das filhas, ela se mudou, em apenas dois dias, de Brasília para Belo Horizonte, deixando para trás trabalho, amigos e carreira.

Foram sete meses no olho do furacão. Nesse período, ela deu entrevistas, posou nua e escreveu um livro para dar sua versão dos fatos. Agora, Mônica Veloso quer retomar sua vida, cuidar das filhas e arrumar um namorado para espantar a solidão.

''Tudo o que é meu ficou exposto. Do interno ao externo.
Ainda sinto um pouco de medo, mas estou aliviada ''

Quando nos vimos pela primeira vez, no GP Brasil de Fórmula 1, em outubro, você parecia uma mulher completamente diferente. Estava tensa, assustava, falava pouco, sorria pouco.O que mudou?
Os repórteres me assustavam mais. Era difícil contar mil vezes a mesma história e tentar convencer as pessoas sobre aquilo. Falei coisas que nunca havia falado. As pessoas me perguntavam: Poxa, que amor é esse que te fez esconder a barriga (gravidez)? O livro resolveu tudo.

Solteira, Mônica acha que os homens estão com medo: "Eu era mais paquerada antes do escândalo"

Como você definiria 2007?
Eu nasci de novo. Sinto-me completamente zerada. Ninguém pode me julgar, meu problema é comum, a diferença é que se tornou público. Sei que errei porque amei demais e me anulei. Foi falta de chão, tinha muito amor. As pessoas não se conformavam que o Renan é careca, barrigudo, mas eu dizia: E daí? Eu sei que amei e quem gostou, ok, quem não gostou, paciência.

''Tudo acabou no final de 2005. Quase morri de tanto chorar,
ele foi o grande amor da minha vida ''

Como foi que você conheceu Renan Calheiros?
Minha produtora fazia o programa eleitoral do PMDB. O Renan foi até lá e ficou encantado comigo. Foi galanteador, simpático. Anos mais tarde, ele soube que eu era casada e não seguiu com a investida. No início de 2002 eu me separei e eu o encontrei uns 15 ou 20 dias depois em uma festa na casa do senador Ney Suassuna. Sentia-me sozinha, precisava de atenção e assim começou a paquera. Renan dizia estar solteiro também e eu, carente.

Como foi o fim do relacionamento?
Tudo acabou no final de 2005. Quase morri de tanto chorar, ele foi o grande amor da minha vida. Hoje nos falamos às vezes, mas, depois da confusão, tudo voltou dentro de mim.

Qual a relação das suas filhas com Renan?
Elas conheceram o Renan, ele freqüentou nossa casa, mas não gostaria de falar sobre isso.

A sedução do poder é muito comum em Brasília?
Muitas mulheres vivem isso. Adoraria dizer o nome de algumas pessoas. Os políticos e jornalistas precisam um do outro, convivem. Isso pode se tornar pessoal e acabar virando um relacionamento como foi comigo.

Você se sente sozinha? Qual é o homem ideal para Mônica Veloso?
Sinto falta de ter um namorado. Em 2007 não cabia um, mas essa história tem de acabar. Quero namorar, não quero ficar sozinha. O príncipe encantado não existe e às vezes é o sapo que vira príncipe. Gosto de homem culto, atencioso e romântico.

Você é muito paquerada?
Depois de tudo isso, ninguém mais demonstrou interesse por mim. Tenho a impressão de que eles estão com medo e se afastam. Às vezes eu lia nas revistas sobre mulheres lindas e famosas que estavam sozinhas. De fato, isso é comum, os homens ficam cautelosos. Eu era mais paquerada antes desse escândalo.

Você ainda tem uma produtora de cinema e vídeo?
Tive a produtora até o final de 2004. Até julho de 2007, eu frilava fazendo documentários, campanhas, eventos. Tive que sair quando a bomba estourou. Acabou o meu salário fixo. Pensei em montar uma loja, mas não deu certo. Eu tinha que pagar contas, ir à luta. Meu mundo caiu, acabou tud

Como é se tornar uma celebridade?
Ser celebridade não é algo que me agrada. Tem que saber que convites aceitar para não se queimar. Não tenho mais 20 anos, não posso arriscar. Gostei muito da minha participação num quadro do programa Zorra Total, da Rede Globo. Maurício Sherman, o diretor, testou a luz e disse: "Vamos brincar, Mônica?" Não teve a mínima pressão, fiquei bem à vontade. Tenho alguns eventos de moda já agendados para 2008. Eu gosto deste tipo de evento. Além de ganhar dinheiro, moda é um assunto que me interessa.

Como surgiu o convite para fazer a Playboy?
Dia 25 de maio foi a audiência, seis dias depois surgiu o convite da Playboy. Tudo isso impulsionado por aquela foto publicada em que eu estava no carro, de óculos escuros. Todo mundo queria saber quem eu era.

''Sinto falta de ter um namorado. Em 2007, não cabia um, mas essa
história tem de acabar. Quero namorar''

Como você contou para a sua família sobre o convite?
Primeiro contei para meu irmão mais velho e ele me deu toda força. Assim também foi com as minhas irmãs. Já a minha mãe foi um pouco diferente. Estávamos vendo TV e eu estava esperando o melhor momento. Ela já sabia do convite pela imprensa. Começamos a conversa e ela disse: "Faz. Levanta a sua cabeça e vai em frente." Esperei 15 dias para contar ao meu pai. Ele tem 86 anos e entendeu. O preconceito estava na minha cabeça, mas eles aceitaram.

E suas filhas? Como você deu a notícia?
A Maria Catarina é muito pequena para entender, por isso conversei com a mais velha. Disse que havia recebido o convite e que gostaria de fazer. Ela achou estranho, mas eu expliquei que não deixaria de ser mãe dela por isso e que ela não precisaria se envergonhar. Usei o exemplo de muitas mães, como a Flavia Alessandra e Kelly Key (que ela adora), que também saíram na publicação. Fui bem clara.

Como foi a repercussão da revista?
Tinha medo de alguém me pedir autógrafo em uma foto de nu, mas isso não aconteceu. A foto de abre do ensaio é um close e é essa que eles pedem para eu autografar.

O valor do seu cachê é público?
Não é público, mas não foi o suficiente para comprar uma casa de R$ 2 milhões, como foi noticiado.

O que você espera para 2008? Quais são seus planos?
Quero muito ter tranqüilidade e ser feliz. Vou buscar isso no trabalho. Essa confusão me sufocou. Recebi um convite para trabalhar na TV, outros para escrever para uma revista e para um jornal. Devo fechar neste mês. Mas de concreto tenho feito palestras sobre administração de crise de imagem.

Cabelo: AMAZON RAI Maquiagem: ADILSON VITAL Agradecimentos: PATACHOUZEZÉ DUARTE
A jornalista estuda propostas para retomar sua carreira em 2008

Cabelo: AMAZON RAI Maquiagem: ADILSON VITAL Agradecimentos: PATACHOUZEZÉ DUARTE