Cinema • Home• Revista 8/1/2008
A boa onda de Paulo Vilhena
Depois de muitas críticas ao longo da carreira, o ator é elogiado por seu desempenho no filme Chega de Saudade, que estréia em março

TEXTO MARIANE MORISAWA FOTO GLAUCIO DETTMAR/AG. ISTOÉ

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"As palavras dele foram decisivas para eu falar: é isso, vale a pena", diz Paulo Vilhena, sobre os elogios de Paulo Autran, que o convidou para fazer a peça O Avarento

Paulo Vilhena não conseguiu disfarçar o suspiro de alívio quando foi aplaudido pela platéia exigente do último Festival de Brasília, em novembro, na apresentação do longa Chega de Saudade, de Laís Bodanzky. Sete anos antes, Rodrigo Santoro tinha sido vaiado por esse público quando a mesma cineasta o anunciou como protagonista de Bicho de Sete Cabeças. Vilhena não chegou a ganhar o Candango de melhor ator, mas sua interpretação no papel do DJ do baile de terceira idade é mais uma prova de que ele atravessa boa fase. Também em 2007, ele estreou no cinema, e logo como protagonista, em O Magnata.

Foi a própria Laís Bodanzky a responsável por dar ao ator a oportunidade de sua vida. Em 2005, ela admite que torceu o nariz quando Maria Luisa Mendonça, produtora da peça Essa Nossa Juventude, disse que vinha aí o "Paulo Vilhena, ator de tevê" para fazer teste para o espetáculo. Mas a diretora se surpreendeu com o rapaz tachado de interpretar sempre a si mesmo. E ele ganhou o papel. "Para mim, foi importantíssimo. Era algo com uma proposta diferente de tudo que eu tinha feito", diz Vilhena, que tinha noção de se tratar de uma chance de ouro, de um divisor de águas e de todos os clichês desse tipo. E foi. "É que nem ir jogar bola com o Ronaldinho e achar que vai ser uma pelada mais ou menos. Vai ser um p... jogo. Por mais que você não tenha se preparado", compara.

Não que ele tenha duvidado de que tinha algo para mostrar. Mas houve momentos em que pensou em "vender coco na Bahia". "Me maltratavam muito. Você se expõe demais, põe a bunda na janela mesmo para neguinho passar a mão", diz. "E dói, dói porque afeta todo mundo, mãe, avô, tia, tio." O ator se questionava se estava atuando para os outros ou para si mesmo. A resposta chegou pouco depois, quando Essa Nossa Juventude já tinha estreado. Num dia de apresentação dupla, na Virada Cultural de São Paulo, veio o aviso de que Paulo Autran estaria na platéia.

Meses antes, o "Paulo Autran, maior ator do Brasil" tinha dado um conselho a Paulinho, que admitira não ser de leituras nem de peças de teatro: estude, porque a beleza passa. Pois ali Autran se dobrou. Ao final do espetáculo, os olhos do ator que estava no palco cruzaram-se com os do ator que estava na platéia. No camarim, o aprendiz viveu momentos de sonho enquanto o mestre elogiava o espetáculo e o elenco. "Fomos embora consagrados", lembra Vilhena, que tempos mais tarde foi almoçar na casa de Paulo Autran e pediu para trabalharem juntos. "Ele me disse: toma esse texto, vai ser minha próxima peça. Tem dois personagens, veja qual quer fazer e me diga. Você tem condições de fazer os dois, saiba disso", recorda-se Vilhena. Era O Avarento, último espetáculo de Autran. Mas ele já tinha se comprometido com Chega de Saudade. De qualquer forma, a vida do ator de 28 anos tinha mudado. "As palavras dele foram decisivas para eu falar: é isso. Vale a pena."

Amadurecimento
A nova fase de Paulo Vilhena se refletiu até na televisão. O ator, que sempre fez garotões namoradores na telinha, foi criticado no começo da novela Paraíso Tropical. "Vai ser a mesma coisa, só que de terno e gravata!", ele brinca, sobre a repercussão inicial de seu personagem, Fred. Pois o mauricinho deu a volta por cima e, no fim, os espectadores torciam para ele ficar com Camila (Patrícia Werneck), apesar da concorrência do doce Mateus (Gustavo Leão). "Paulinho é o amadurecimento do caminhar. Ele é o resultado do que caminhou", diz Stepan Nercessian, seu colega de elenco em Chega de Saudade, que estréia em março. Tal amadurecimento aparece em sua vida. Há dois anos com Roberta Alonso, o ator pensa em se casar e em ter filhos. E, enquanto isso, seguir ouvindo com respeito o que têm a dizer os mais experientes.