Cinema • Home• Revista 2/1/2008
O Diário de uma Babá
Elenco é o que este retrato das măes dondocas de Nova York tem de melhor

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DIVULGAÇÃO
Scarlett Johansson e Nicholas Art em O Diário de uma Babá

COMÉDIA
O SUCESSO de O Diabo Veste Prada, baseado no best-seller de Lauren Weisberger, pode ter aberto um novo filão em Hollywood: o dos bastidores das diversas tribos do jet set de Manhattan, pelos olhos de quem circulou por ele. O impiedoso retrato que Lauren fez do mundo fashion foi fruto dos anos em que assessorou a tirânica editora da Vogue americana, Anna Wintour. A esperada versão cinematográfica da série Sex and the City, por sua vez, retomará as estripulias noturnas das quatro amigas lideradas por Sarah Jessica Parker. A trupe de solteiras surgiu no livro homônimo de Candace Bushnell, uma reunião das crônicas, para lá de pessoais, que abasteciam sua coluna no jornal The New York Observer.

Em O Diário de uma Babá, é a vez de esmiuçar a rotina das mamães dondocas da Big Apple. E o que se vê não é nada lisonjeiro. As ex-nannies Emma McLaughlin e Nicola Kraus fizeram um pot-pourri das mais de trinta famílias com que trabalharam para criar “os X”, o clã do romance adaptado pelos roteiristas e diretores Shari Springer Berman e Robert Pulcini. É bom avisar, contudo, que esta comédia nada tem do primeiro trabalho da dupla, Anti- Herói Americano, um denso e criativo retrato do quadrinista Harvey Pekar. A trama é convencional e narrada pela protagonista, Annie. Recém-formada em Antropologia, ela não sabe que caminho tomar, se a paixão pela ciência do homem ou o mundo corporativo que tanto agrada a sua mãe. Por obra do acaso, resolve dar um tempo como babá do filho do casal X e descobre os podres por trás daquela vida luxuosa.

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Como uma Mary Poppins moderna – com direito a guarda-chuva voador –, Annie tenta suprir a carência do garoto, enquanto a senhora X compensa com compras e cursos fúteis a tristeza pelo descaso do marido, sempre ausente “a trabalho”. Os inusitados encontros da babá com o vizinho bonitão são divertidos, mas o humor é agridoce. O que o filme tem de melhor é o elenco. Não é à toa que Scarlett Johansson caiu nas graças de Woody Allen. A estrela de Match Point é um poço de inocência e sensualidade e transita com desenvoltura entre o drama e a comédia. O casal X é formado pelos consagrados Laura Linney e Paul Giamatti. Impressiona como conseguem valorizar, e tornar prazeroso, um enredo tão limitado. Suzana Uchôa Itiberê
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