Sucesso • Home• Revista 2/1/2008
Flora Gil
A dona do carnaval
A empresária revela o segredo de comandar o camarote expresso 2222, que completa 10 anos, e fala da relação com o marido Gilberto Gil

TEXTO BIANCA ZARAMELLA, DE SALVADOR

FAMÍLIA Na sala de sua casa, no Horto Florestal em Salvador, Flora diz que gosta mesmo de reunir a família. “Sou assim, gosto de agregar as pessoas”

"qui é assim, quem convida dá banquete", decreta Flora Gil ao revelar o segredo de 10 anos de sucesso do Camarote Expresso 2222. Encher de mimos e conforto os convidados que vêm de longe para ver o Carnaval de Salvador é o que faz de Flora uma referência na folia baiana. Vestida de branco, pouca maquiagem, ela conversou com Gente enquanto beliscava as frutas dos drinques antes de receber convidados na bela casa no Horto Florestal, em Salvador. O jantar daquela noite reuniu amigos, parceiros e clientes para o lançamento do camarote Expresso 2222, que em 2008 completa 10 anos. Os preparativos ocuparam boa parte de sua agenda em 2007. Nos últimos quatro meses, dedicou-se quase que exclusivamente à preparação do camarote que vai receber 1.000 pessoas por dia.

Aos 48 anos, Flora uniu a experiência no mundo musical com muita disposição para o trabalho para tornar-se referência no Carnaval baiano. Para muitos, ela é a dona da folia baiana. Ao lado do marido, o ministro da Cultura e músico Gilberto Gil, ela recebe os nomes mais badalados no camarote que leva o nome de um disco de Gil. Bono Vox, da banda U2, e o ator e produtor americano Quincy Jones já foram recebidos por Flora, que é perfeccionista, mas sem exageros. Foi-se a época em que levava tudo com mão de ferro. Hoje prefere administrar tudo com calma. A empresária troca viagens para reunir a família e prefere o Gil músico, pai de seus filhos, Bem, 23, Isabela, 19, e José, 15.

Você é referência do Carnaval da Bahia. Qual é o segredo do sucesso?
Acho que tem que partir do princípio de que “quem convida, dá banquete”, como dizem aqui na Bahia. Você não vai tirar uma pessoa da casa dela e fazer ela vir até aqui para não ter uma boa impressão. O segredo é tratar todo mundo bem. As pessoas estão ali porque querem uma coisa diferente. Muitos dos convidados do Expresso 2222 estão vindo para a primeira vez no Carnaval.

Como é administrar tudo?
É bem complicado, como se você estivesse abrindo sua casa e colocando mil pessoas lá dentro todos os dias. São convidados da produção e amigos. É complicado juntar todas estas coisas e dar tudo certo. Nada é 100% certo, mas eu acho que fica 99,5%.

Você tem fama de ser uma pessoa muito séria e profissional, às vezes até brava. Isso a incomoda?
Acho que antes eu era mais exigente e perfeccionista, mas agora não sou muito não. Estou um pouquinho mais relaxada.

RELAX Depois de receber 300 convidados em sua residência, a anfitriã relaxa na sala de tevê, onde tem um mural cheio de fotos da família

Gil sempre a ajudou na época do Carnaval.Como foram esses últimos cinco anos em que ele se tornou ministro?
Ele me ajuda muito perto da semana do Carnaval e sempre dá opinião. Chega, vai lá, olha o que tá faltando e dá palpites. Ele faz um check list.

Você já declarou que Gil pode deixar o cargo em 2008. Concordou em ele ser ministro?
Primeiro, eu não apoiava ele ir para a política. Nunca fui a favor porque é muito cansativo, mas ele gosta, gosta muito de política, do Lula e da cultura. Ele se dividiu bem. Deixou de fazer muitos shows e só se apresentava nos finais de semana. Não gravou nenhum disco novo, há cinco anos ele não grava. Vai gravar um agora, com músicas inéditas.

Você tem interesse na política?
Não tenho a menor aptidão e nem vontade. Não existe a menor possibilidade de eu ser nada disso. Só ser for assim: você vai ser obrigada ou você morre, aí tudo bem. Você é obrigada a ser síndica ou você vai morrer. É o máximo que eu posso ser.

O que fazem quando não estão trabalhando?
Sou caseira, adoro ficar na minha casa em Salvador. A gente viaja tanto que descansar viajando cansa, sabe? Não tem essa coisa: “Ai, vou tirar férias e vou viajar”. É um martírio. Prefiro descansar em casa.

Como conheceu Gil?
Eu era vendedora de loja em São Paulo e fui escolhida a melhor funcionária no final do ano e ganhei uma viagem para a Bahia. Um dia, fomos ao show da Baby Consuelo. Na saída, estávamos a pé e resolvi pedir carona. Parou um carro, era o Gil. Regina Casé estava com ele. Eu o conheci ali.

Acha que foi destino?
Não. Não acredito nessa coisa de destino. Foi muita coincidência. Na época eu tinha 17 anos, quase 18. Depois disso, namoramos dois anos. Casei aos 20.

Como foi conviver com as três ex-mulheres e os cinco filhos do Gil. Foi um início difícil?
Não sei responder muito bem isso porque eu tenho um tempo de vida mais “com o Gil” do que “sem o Gil.” Tenho 48 anos. São 28 anos com ele e 20 sem ele.

Fotos: DIVULGAÇÃO
ANFITRIÃ Flora experimenta as frutas que serão servidas nos drinques de um jantar em sua casa, em Salvador

Você teve medo na época?
Olha, talvez hoje eu ficasse com medo, mas na época, não tive. Com 20 anos, você tem medo de quê? De nada. Nem de avião eu tinha medo.

O que a encantou no Gil?
Ele que se encantou por mim primeiro. Depois é que eu me encantei por ele, foi nessa ordem. Alguns dias depois, ele fez uma música chamada Flora e se declarou para mim cantando ela. A música é linda.

Qual é segredo para manter o casamento?
Não é um casamento tradicional como os dos outros casais. Existem muitas viagens e não tem monotonia. Acho que esse é um dos fatores bons, mas antes de tudo você tem que querer, né? Deve ser isso.

Como é a Flora baiana, que nasceu em São Paulo?
Não tenho nada de baiana, só o branco de Oxalá. Não me sinto baiana. A única coisa que eu tenho da Bahia é a minha referência e a minha fé nos orixás. Eu sou feita de santa no candomblé, uso branco às sextas-feiras. Não é uma superstição, é uma tradição da religião e um respeito a Oxalá.

É a religião que a fortalece?
Acredito que sim, fiquei melhor. Gil também é iniciado, ele tem um cargo no candomblé, ele é ministro de Xangô. Ele já era ministro antes de ser ministro.

Você está bem,mais magra e jovem.Fez alguma dieta especial?
Segui os conselhos da minha filha Isabela. Ela morou na França, foi para Nova York e agora se formou chefe de cozinha natural. Eu pedi para ela fazer uma dieta para mim e segui. Só isso. Fiz uma plástica no rosto há pouco tempo, mas nada exagerado.

Preta Gil morou muito tempo com vocês e acaba de montar um apartamento. Como é o dia-a-dia familiar?
Agora estamos eu, Gil e José, meu filho caçula de 15 anos. Mas sempre tem muita gente por lá. Preta saiu de casa faz pouco tempo. Na primeira semana, liguei para ela e falei: “Preta, que palhaçada essa história. Você saiu de casa para montar um apartamento do lado de casa?” Ela está lá, adorando brincar de casinha, mas o quarto dela continua para quando quiser voltar. Eu sou assim, gosto de agregar as pessoas.