Quem vai brilhar em 2008 • Home• Revista 2/1/2008
José Celso Martinez Corrêa
Diretor faz 50 anos à frente do teatro oficina e prepara projetos que incluem a montagem de Senhora do afogados e a continuação de Cacilda!

Aina Pinto

ROGERIO ALBUQUERQUE

Para falar de seus planos, José Celso Martinez Corrêa, de 70 anos, dirige-se ao alto do Teatro Oficina para mostrar uma árvore, que nasce dentro do local e cresce para fora. “A partir daqui, vamos crescer como essa árvore”, diz, abrindo os braços e olhando para o terreno ao lado, onde hoje funciona um estacionamento e onde, no futuro, ele pretende ver erguido o Teatro Estádio. O projeto ainda é só um desejo, mas outros em comemoração aos 50 anos do Oficina já são fato. Entre eles, a apresentação de Bandidos, montado pelo grupo apenas na Alemanha, e Senhora dos Afogados, peça de Nelson Rodrigues que terá Mariana Ximenes e Maria Padilha no elenco.

No dia exato da comemoração, em 28 de novembro, será remontado Vento Forte para Papagaio Subir, o primeiro espetáculo de Zé Celso, e aberta uma exposição. Também serão lançados os DVDs de Hamlet, Boca de Ouro, Bacantes, a primeira etapa de Cacilda! e Os Sertões.

Zé Celso pretende montar ainda as outras partes de Cacilda!, sua livre biografia de Cacilda Becker. Com um orgulho perceptível em relação à sua obra e à história do Oficina, um dos maiores grupos do teatro brasileiro, nem parece que só agora ele passou a gostar de suas peças. “Demorei muito para reconhecê-las como minhas filhas”, conta ele, que começou com a fundação do Oficina. O motivo? “O pessoal do Teatro de Arena caía de pau. Eles eram de esquerda e faziam teatro para o povo. Nós fazíamos para nossa revolução porque, se nos modificamos por meio do teatro, transformamos tudo o que está em volta.”