Quem vai brilhar em 2008 • Home• Revista 2/1/2008
Selton Mello
O ator, que faz rir e chorar em meu nome não é johnny, estrela mais dois filmes, e planeja o lançamento de seu primeiro longa como diretor

Mariane Morisawa

PAULO JARES

Sempre com uma piada na ponta da língua, João Estrella faz rir. Até que vai preso, por tráfico de drogas, e precisa se defender na frente de uma juíza – e de sua mãe. As lágrimas lhe vêm aos olhos, a voz embarga, a fala engasga. Por mais que a realidade tenha sido assim, é a transformação na tela que emociona. E o responsável é Selton Mello, que interpreta o personagem real no filme Meu Nome Não É Johnny, que estréia dia 4.

O público acompanha Selton desde que ele era o menininho fofo de voz rouca e cabelos encaracolados que fazia novelas. Hoje, aos 35 anos, é um dos atores mais requisitados do cinema nacional. “Adoro fazer cinema. É o que escolhi para a minha vida”, diz. Em 2008, deve lançar Federal, de Erik de Castro, e Os Desafinados, de Walter Lima Jr., no qual ele interpreta um cineasta tentando fazer seu primeiro filme. Coisa parecida com o que ele viveu há pouco tempo. Selton estréia na direção de longas em Feliz Natal (título provisório), do qual também co-escreveu o roteiro, correu atrás do dinheiro, foi produtor e montador. “É dar a cara a tapa nas últimas conseqüências”, afirma ele. “Me agrada a idéia de ter um ponto de vista também. Além de ator, ser também um pensador.” Vai se dedicar ao máximo a “lamber a cria”, viajando com o filme pelos festivais antes de estreá-lo no final do ano. Tem certeza de que a experiência como diretor vai mudar seu olhar como ator. O teste poderá ser feito nos três projetos que deve rodar nos próximos 12 meses: Mulher Invisível, de Cláudio Torres, A Erva do Rato, de Julio Bressane, e um filme sobre Jean Charles de Menezes, o brasileiro assassinado depois de confundido pela polícia londrina com um terrorista. Sinal de que o brilho de Selton Mello não deve se apagar por um bom tempo.