Exposição • Home• Revista 28/8/2007
Bienal do Mercosul
Nova geografia cultural
Com nova estrutura, cresce a representatividade internacional do evento, que acontece em Porto Alegre

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“Os Pontos nos Is”, obra de 1991 do argentino Jorge Macchi, que está na Bienal do Mercosul

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Ao longo das cinco primeiras edições da Bienal do Mercosul, alguns artistas americanos e europeus foram a Porto Alegre. Mas a presença de artistas de fora do Mercado Comum do Sul se reduzia a participações em mostras transversais. Com o fim das representações nacionais nesta 6ª Bienal do Mercosul, de 1º de setembro a 18 de novembro em vários locais na capital gaúcha, caem os muros e as fronteiras geográficas e cresce a representatividade internacional da mostra. A partir desta edição, o evento já não se estrutura com base em uma suposta identidade regional formada por Brasil-Argentina-Bolívia- Chile-Paraguai-Uruguai. Os 67 artistas de 23 países participantes se organizam segundo nova geografia, desenhada a partir da metáfora da “Terceira Margem do Rio”, inspirada em Guimarães Rosa. A ampliação do espectro traz artistas como o inglês Steve McQueen, o libanês Walid Raad, o japonês Chiho Aoshima e o sulafricano William Kentridge.

Assim como a 27ª Bienal de São Paulo (2006), que sob a curadoria geral de Lisette Lagnado acabou com as representações nacionais e montou um time curatorial, a 6ª Bienal do Mercosul também descentralizou a curadoria. A equipe do curador-geral Gabriel Perez-Barreiro conta com outros seis curadores internacionais, e os temas das duas principais mostras da América Latina também têm forte identidade. Se a Bienal de São Paulo propôs o “Como viver junto”, Perez-Barreiro elege como tema a terceira margem: o diálogo entre dois indivíduos com experiências diferentes, que gera uma terceira realidade.

“O Ar Mais Próximo”, de Waltercio Caldas, também faz parte do evento que acontece de 1º de setembro a 18 de novembro

O diálogo é estimulado nas três exposições coletivas e nas três mostras monográficas que compõem a Bienal do Mercosul. Para a mostra “Três Fronteiras” foram convidados artistas que trabalham com temas relacionados à diversidade cultural da fronteira Paraguai-Argentina- Brasil. A mostra “Zona Franca” foi criada como espaço de liberdade geográfica e cultural; e a mostra “Conversas” propõe um jogo compartilhado entre os curadores, os artistas do Mercosul e o cenário contemporâneo internacional. O projeto de Perez-Barreiro mostra que a função de uma Bienal não é apresentar tendências ou panoramas, mas colocar a arte como código comum de comunicação. Paula Alzugaray