Exposição • Home• Revista 12/6/2007
ARTE
Alicerces da Forma
Retrospectiva deixa de lado o melhor da produção de Alice Brill: a fotografia

Paula Alzugaray

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Residente no Brasil desde os anos 30, quando aqui chegou aos 14 anos, fugindo do nazismo, a alemã Alice Brill se notabilizou por sua fotografia documental. As imagens que produziu em duas de suas mais célebres séries - os índios Carajás de Mato Grosso e os internos do Hospital Psiquiátrico do Juquery - revelam a mesma intenção do olhar do antropólogo, que historicamente se voltou para as culturas dos "outros", dos "não-civilizados". Recentemente catalogado e digitalizado pelo Instituto Moreira Salles, o corpo do trabalho fotográfico de Alice Brill, com cerca de 14 mil negativos, ganhou três boas mostras no IMS. A última delas, em 2005, comemorou os 85 anos da fotógrafa. Agora, aos 87, é a Alice Brill artista quem ganha uma retrospectiva, Alicerces da Forma, na Faap, em São Paulo.

A julgar pelo título, a exposição parece querer provar que os alicerces da obra fotográfica de Alice Brill estejam na pintura ou na gravura, experimentadas pela artista desde cedo, junto ao Grupo Santa Helena, nos anos 40, e nunca mais abandonadas. É surpreendente que as últimas pinturas exibidas na mostra datem de 2003. Mas o que fica do conjunto selecionado pela curadora Carla Ogawa é uma diversidade de técnicas e temas que não se igualam à contundência da fotografia de Brill.

A mostra, que pode ser conferida em São Paulo, parece querer provar que os alicerces da obra fotográfica da alemã radicada no Brasil Alice Brill estejam na pintura ou na gravura

O conjunto é irregular. Há desde singelas representações de uma São Paulo ainda provinciana, até retratos de crianças, folhagens em batik, muitos registros de viagens e alguns desenhos de deuses pré-colombianos. Questionável também é a decisão curatorial de situar no centro do espaço expositivo os óleos sobre tela do pai de Alice, Erich Brill.

Diante de tamanha variedade, destacam- se algumas telas que desenvolvem o tema do isolamento do indivíduo em uma sociedade regida pelo relógio e pelo dinheiro. "Isolamento", de 1966, "Composição em Preto e Branco", de 1972, "Tempo e Espaço III", de 1973, e "Telhados e Escadas", de 1990, com sua carga existencialista, valem pela exposição. Mesmo assim, as fotos deixam saudade.

Para sempre fotógrafa

MAB FAAP - Rua Alagoas, 903, São Paulo, tel. (11) 3662 7198. Até 15/7.