Exposição • Home• Revista 4/6/2007
Nem só de tinta, pincéis e telas viveu a Geração 80
Paula Alzugaray

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Fotos: DIVULGAÇÃO
Obras de Luiz Zerbini, um dos principais expoentes desta cena, e de Luiz Hermano (acima) podem ser vistas em São Paulo

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Não só no Brasil, mas especialmente em países europeus como a Alemanha e a Itália, a produção de 1980 ficou conhecida como “o retorno à pintura”, depois de uma década em que a arte funcionou em âmbito 100% mental. Hoje, à distância, descobre-se que os artistas da virada dos anos 80 para os 90, além de pintar muito e de operar com altas doses de subjetividade e prazer, também tinham olhos para o experimentalismo da geração de seus professores e para o hibridismo que viria a definir a arte contemporânea dos anos 2000. Isto é o que procura mostrar a exposição 80/90 Modernos, Pós-Modernos Etc, com curadoria do crítico Agnaldo Farias, em cartaz no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.

Fotos: DIVULGAÇÃOHavia pinturas por todos os lados, é certo. Luiz Zerbini retratava os protagonistas dessa cena, como Beatriz Milhazes ou Barrão, cercados de vasta simbologia pop, enquanto Leda Catunda pintava sobre cobertores e cortinas de banheiro, e Alex Valaury trocava tinta acrílica por spray e dominava os muros da cidade de São Paulo com sua “rainha do frango assado”, a primeira heroína do grafite nacional. Mas o final dos anos 80 viu surgir também a videoarte de Eder Santos, as roupas performáticas de Nazareth Pacheco e a fotografia apropriada de Rosângela Rennó, que mudou para sempre o estatuto da fotografia no Brasil. Mesmo com propostas radicais como o projeto “Novas bases de personalidade”, criado por Ricardo Basbaum em 1993 e convidado este ano para a Documenta 12, é natural que, ainda assim, a pintura predomine em uma mostra sobre a Geração 80.

Instituto Tomie Ohtake –
Av. Faria Lima, 201, São Paulo,
tel. (11) 2245 1900. Até 15/7.