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Elas querem descamisados
A explosão do homem objeto na tevê reflete a vontade do público feminino e dá à novela Uga Uga recordes de audiência nos últimos anos

Rosângela Honor

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CLÁUDIO
HEIRINCH

27 ANOS
HUMBERTO
MARTINS
40 ANOS
MARCELO
NOVAES

38 ANOS
MATEUS
ROCHA

25 ANOS
MARCOS
PASQUIM

31 ANOS

Meio dia na Praia de Grumari, uma das mais paradisíacas do Rio de Janeiro. Sob um sol escaldante e temperatura acima dos 30 graus, o ator Cláudio Heinrich grava mais uma cena na pele de Tatuapu, o sensual e ingênuo índio de Uga, Uga. Num dos intervalos, posa para Gente.

A tranqüilidade da paisagem é quebrada com a chegada de dois ônibus escolares, que diminuem a velocidade próximo ao local da gravação. “Olha, você tem que terminar logo. Se esses ônibus escolares que estão passando aí estacionarem eu vou ter que sair correndo”, avisou Heinrich ao fotógrafo.

Os ônibus param. Assim que reconhecem o ator, os estudantes correm em sua direção. Os minutos seguintes foram suficientes para Heinrich correr até o seu carro e fugir do assédio das fãs. Consegue escapar ileso. Inconsoláveis, as estudantes cercaram o carro de reportagem de Gente supondo que ele pudesse estar escondido ali.

Ser visto como homem-objeto não é privilégio exclusivo de Cláudio Heinrich. Seus colegas de elenco, Marcelo Novaes, Humberto Martins, Marcos Pasquim e Mateus Rocha também estão na mira de milhares de mulheres ávidas em conferir de perto a boa forma dos atores que as deixam boquiabertas diante da tevê. Não é para menos. O time escalado para a trama de Carlos Lombardi é o primeiro a inaugurar uma nova estética masculina nas novelas da Globo: Eles são os descamisados.

Nunca um elenco reuniu tantos homens bonitos e parcialmente nus. O resultado do corpo masculino em evidência foi imediato. Há pelo menos três anos uma novela das sete não conseguia um desempenho tão bom. Desde sua estréia, no dia 8 de maio, Uga Uga vem mantendo média de 40 pontos, com picos que já atingiram 53.

O fato é que a silhueta masculina chegou para conquistar seu espaço na tevê. A professora de dramaturgia Renata Pallottini, do Núcleo de Pesquisa de Telenovelas da USP, acredita que a ditadura da nudez feminina nas telenovelas cansou o público e se tornou redundante. “Hoje já não desperta tanto interesse”, acredita. Ela também atribui o desgaste da imagem da mulher à onda desenfreada das lipoesculturas e implantes de silicone. “Existe uma sensação de autenticidade e naturalidade no corpo masculino.”

A superexposição das formas masculinas na tevê estariam refletindo uma mudança de comportamento da própria sociedade. “É fruto deste final de século”, arrisca Mauro Alencar, consultor de novelas da Rede Globo e doutorando em teledramaturgia. “A novela funciona como uma espécie de tribuna, na qual o autor pode extravasar e mostrar a evolução dos costumes.” Renata Pallottini concorda. Lembra que hoje existem revistas voltadas para as mulheres que exploram a nudez masculina da mesma forma que a feminina. “A mulher está assumindo a postura de que gosta e tem o direito de ver o corpo masculino”, defende Pallottini.

O ator Marcos Pasquim, o Van Damme de Uga Uga, garante que não se incomoda nem um pouco com o fato de ser visto como homem objeto. Depois da exploração do corpo feminino na mídia, chegou a hora do troco, defende. “Já estava na hora de se usar os homens também”, estimula.

De olho no sucesso que os dorsos esculpidos de Uga Uga fazem, a direção da Globo chamou o autor para uma conversa. A diretora geral Marluce Dias da Silva queria ver a trama no ar até o carnaval de 2001. “Chegamos a um acordo e a novela terminará no início de janeiro”, diz Lombardi, preocupado em manter o fôlego e agilidade da trama. Ele não admite que esteja inaugurando a estética dos descamisados na televisão brasileira. Argumenta que o modismo surgiu com os rappers nos EUA, no início dos anos 90, e foi importado através dos clipes da MTV. “Passou a ser sinônimo de status para o jovem aparecer sem camisa, assim como é sinônimo de elegância para o executivo vestir terno e gravata”, explica Lombardi.

O autor de Uga Uga pode até não tomar para si o feito. Mas basta assistir a um capítulo para perceber que a nudez feminina deixou de ser uma regra. Hoje, Danielle Winits divide a beleza de seus seios turbinados de silicone com o bumbum irretocável de Cláudio Heinrich, metido numa tanga minúscula. “As mulheres dizem que a minha bunda é maravilhosa”, conta.

Mateus Rocha, o Ary de Uga Uga, é outro que tem sentido literalmente na pele o ônus de ter se transformado em símbolo sexual. Recentemente, foi pego de surpresa quando apresentava uma festa no interior do Estado do Rio. Uma fã mais ousada tateou seu órgão genital. “Dei um sorriso, disse que valia tudo, menos aquele gesto”, lembra Mateus, divertindo-se com o fato.

APALPADOS Mesmo acostumado ao assédio feminino desde que interpretou o já descamisado mecânico Raí, de Quatro por Quatro, em 1994, Marcelo Novaes tem se surpreendido com a voracidade das fãs. Convidado para apresentar um desfile de moda em Fortaleza recentemente, ele não conseguiu controlar o entusiasmo das fãs. Mesmo cercado por seguranças, foi apalpado de todas as maneiras e teve seu cordão de ouro de estimação arrebentado. “Não paravam de me tocar”, conta.

Se há alguns anos ser tratado como objeto do desejo era uma ofensa para os homens, a história mudou. O próprio Lombardi admite que a nudez masculina é um aditivo a mais na sua história. Embora ressalve que, se a novela não fosse boa, a audiência já teria despencado. “É claro que as pessoas gostam, mais isso não é o mais importante”, defende. Mauro Alencar também acredita que, mesmo com um chamariz tão forte, Uga Uga não faria sucesso se não fosse dinâmica e ágil. “Os nus isoladamente não alavancariam a audiência”, afirma.

O autor acredita que outros ingredientes da trama, tais como o cenário do verão carioca, proporcionam um contexto à nudez que faz as telespectadoras delirarem. Renata Pallottini faz coro. “Se a novela fosse rodada em São Paulo, não seria natural aquela rapaziada de peito de fora”, ressalva a pesquisadora. “As pessoas andam assim no verão do Rio, não existe vulgaridade”, concorda Mateus Rocha. Outra atenuante, aponta Pallottini, é o fato de o nu vir embalado numa comédia. “Numa novela das sete, se discute muito menos os problemas existenciais”, sustenta. “Se fosse no horário das oito, não daria certo. Os temas são mais profundos e levados a sério.”

Mas a nudez masculina em Uga Uga não é unanimidade entre o público feminino. Solange Frazão, Marisa Gomes e Renata Mor fogem à regra. Mulher de Humberto Martins e namoradas, respectivamente, de Cláudio Heinrich e Marcos Pasquim, elas são as únicas que não se deliciam diante da tevê. Todas as vezes em que se despede do namorado, Renata recomenda: “Não deixa ninguém te abraçar ou te beijar”. Marisa prefere não assistir às cenas em que Tatuapu beija alguém. “Ela diz que todas podem ver, mas só ela pode tocar”, entrega Heinrich. Elas não são egoístas. Deixam que os namorados tirem a roupa em frente às câmeras por um motivo nobre. Nada menos que cerca de 15 milhões de brasileiras desejam encontrá-los pontualmente às sete da noite.

 

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