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Lulu Santos

“Sou higienicamente separado”
Aos 19 anos de carreira, o cantor lança novo CD e diz que ele e a mulher, Scarlet Moon, moram em casas diferentes para “despromiscuizar” a relação

Rosangela Honor

Leandro Pimentel
"Esse pagode, esse axé, é uma luta de classes sem sangue”

Você defende a descriminação da maconha?
Até em Portugal já se descriminou o uso da maconha. Não pode ser uma prioridade para o povo brasileiro. Mas uma prioridade gritante é abandonar a hipocrisia. Ter um pouco de seriedade e ver as coisas pelo que elas são e não pela mística ignorante que se investe nisso. Maconha para uso médico é uma necessidade considerável. Assino uma revista inglesa semanal de ciências. Não passa um mês que não tenha uma nova descoberta sobre a potencialidade médica do canabinóide. É apenas uma planta. Você dizer que uma pessoa não pode queimar uma planta e ingerir é além do que eu outorgaria de autoridade a qualquer um.

Consome drogas?
Drogas são proibidas. Ponto. São ilegais.

O que o leva a assinar uma publicação como uma revista inglesa de ciências?
Não tenho formação universitária, mas sou interessado em me informar. Volta e meia escolho um tema. Às vezes a leitura é enfadonha. Leio até sobre física quântica.

Cultiva o hábito da leitura?
Estou lendo dez livros. Mas paro na metade. Você lê 300 páginas e depois não lê mais 200. Tenho dificuldade de ler romance.

Você vai a livrarias?
Aí que entra o vício que eu controlei: a Amazon (livraria virtual). Uma das coisas melhores da vida é livraria. E você poder entrar numa livraria de cueca, fumando um cigarro, às 3h da manhã.

Então você é um internauta?
Uso a internet como meio de consulta. Acordo, leio meus jornais, meus e-mails e abro dois sites. Um é um site de astronomia, o Foto Astronômica do Dia, e o outro é sobre as condições do tempo. Mas não tenho total domínio. Bato no meu computador com chicote.

Ouve seus discos em casa?
Não. Porque sei de cor e salteado o que está ali. Não fico lambendo. Tem uma coisa que eu aprendi com o Mick Jagger. Uma frase dele diz assim: “Ouvir 300 horas de Rolling Stones não é exatamente a minha idéia de diversão”. É melhor quando ouço minhas músicas no rádio. Sou agradavelmente surpreendido. Mas toco e canto em casa. Me exercito.

O novo disco marca seus 20 anos de carreira.
Não, 19. Eu não tenho essa aflição por números terminados em zero. Tenho certa rejeição a isso.

Você acha que seu público é formado mais por adolescentes?
É cada vez mais misturado. Tenho uma admiração enorme pelo arco que a Marisa Monte abraça de público. É o melhor da nossa geração. Nada contra jovens e adolescentes. Mas se você puder ter aquele público que compra seu disco com seu próprio dinheiro, acho que o diálogo fica legal. Senão, você fica naquela aflição perene do artista pop envelhecendo, mas querendo parecer jovem.

Como encara o envelhecimento?
Não tenho nenhum drama quanto a isso. Procuro fazer da minha vida uma coisa da qual não me arrependa. Quem pode ser mais coerente do que o Caetano, por exemplo? Mick Jagger? São pessoas que já têm mais dez anos que eu. Temos artistas na geração anterior cujo processo pessoal de existência é tão importante quanto a própria obra. Você olha o Chico (Buarque). Um homem da idade dele podia estar tão pior. Ele está maravilhoso. Eu me sinto meio sem idade. A idade cronológica não me perpassa.

Na letra de “Made in Brazil” (música do novo disco), você diz que o Roberto Carlos não se liga mais em rock. Por quê?
Ele fez escolhas que o afastam. A vida ou as escolhas fizeram com que a produção do Roberto perdesse a jovialidade. Às vezes, tenho a sensação de que ele, com toda a majestade, é um pouco refém da imagem que ele tem dele mesmo. Não tenho vocação para fazer críticas a escolhas. Estou falando isso porque o arquétipo Roberto Carlos ainda está na minha canção hoje. Senão, eu nem falava dele. Ele deixou de ser referência no rock e na música. É uma constatação.

Acha que há um empobrecimento na música brasileira?
Se há empobrecimento, isso reflete o empobrecimento da própria alma brasileira, as dificuldades, a falta de perspectivas. Mas há um enorme enriquecimento. Nunca se consumiu tanta MPB. A música estrangeira foi expulsa das paradas. Pode-se dizer que o Tchan é vulgar, que a erotização é perversa, mas a estrutura musical daquilo é pertinaz. Esse pagode, esse axé, é uma invenção cultural brasileira. E tem uma terceira coisa.

O que?
A pobreza cultural popular ganhou o mercado e fez milionários que são espelho para muita gente. Existe uma luta de classes sem sangue, sem dor, que serve como bálsamo para o povo brasileiro. Surpreendentemente, o primeiro lugar de vendas do País é a Marisa Monte com o Arnaldo Antunes declamando Eça de Queiroz. Na realidade, são o Claudinho e Buchecha II, com aquele “Amor I love you, Amor I love you”. Mas é um veículo para se falar do Eça. Isso é uma vitória.

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