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Cécil Thiré

“A fama de gay me prejudicou”
Filho de Tônia Carreiro, o ator diz que perdeu papéis por causa do rótulo de homossexual e conta que vendeu 25 bezerros para produzir peça de autoria do filho

Viviane Rosalem

André Durão
“Fiquei careca aos 27 anos. E jovem careca não tem papel na tevê. Só depois dos 40 você começa a ser o dono de empresa ou o bandido”

Os laços de família perseguem a biografia de Cécil Thiré, 57 anos. Filho de Tônia Carrero, ele perdeu a conta do número de vezes que contracenou com a mãe no teatro e na tevê em quase quatro décadas de carreira. Agora, os papéis se invertem. O ator dirige e atua ao lado do filho mais velho Carlos, 28, no espetáculo O Último Suspiro da Palmeira, em cartaz na Casa de Cultura Laura Alvim, no Rio de Janeiro. Para produzir a peça, de autoria de Carlos, ele vendeu 25 bezerros de seu sítio de 583 mil metros quadrados em Piraí, na Serra do Matoso, a 90 km do Rio. Cécil também é pai de Luiza, 27, e Miguel, 18, de seu casamento com a produtora musical Norma Thiré, e de João, de 11 anos, filho da modelo Carolina Cavalcanti. Casado com a diretora teatral Nancy Galvão, o ator ainda encontra tempo livre para administrar o restaurante A Casa da Praia, em Rio das Ostras, na Região dos Lagos, e dar aulas de teatro na Casa das Artes de Laranjeiras. Único filho de Tônia e do artista plástico e diretor de cinema Carlos Thiré, Cécil contabiliza 14 novelas em sua carreira. Mas faz planos para incluir a 15ª o quanto antes. “Estou morrendo de saudades das novelas. Espero receber logo uma escalação”, confessa o ator, até hoje lembrado por sua atuação em Roda de Fogo, em 1986, na qual deu vida ao vilão Mário Liberato, consagrado personagem na história das telenovelas brasileiras.

Como conseguiu produzir O Último Suspiro da Palmeira?
Vendi 25 bezerros que eu tinha no meu sítio, porque o pasto passou por um período de seca neste inverno, e eles podiam morrer.

Você era proprietário de gado leiteiro?
Sim. Mas todo o leite e queijo que eu produzia no sítio era para consumo próprio. Assim como toda a plantação de hortaliças e as mais de 30 árvores frutíferas que tenho lá são destinadas à minha família. Na verdade, no meu sítio, há um minifúndio para a minha sobrevivência.

É verdade que você também quer vender seu restaurante em Rio das Ostras?
Não tenho tempo para cuidar. Nunca deu prejuízo, mas quando não estou por perto, não rende tanto. Todo negócio só prospera se você estiver dentro dele.

Você está no seu quarto casamento. O que pensa sobre a instituição?
Eu acredito nele, apesar de achar que é tão provisório quanto a vida. Nada é para sempre.

É conquistador?
Não. Nunca consegui conquistar mulher nenhuma. Todas elas me conquistaram primeiro. Quando achava que estava conquistando, já estava envolvido. Já tinha sido fisgado.

No cinema, você está em Cronicamente Inviável, de Sérgio Bianchi, como um dono de restaurante gay. Costuma ouvir piadinhas nas ruas?
Não. Mas quando fiz a novela Roda de Fogo, no qual interpretei o Mário Liberato, que era um vilão gay, muitas pessoas achavam que eu era gay mesmo. Durante um bom tempo, vários comentários eram de que eu era homossexual. Estava casado, tinha filhos, mas isto não queria dizer nada. As pessoas nas ruas me respeitavam e não comentavam nada na minha frente, porque achavam que eu ficaria ofendido com alguma insinuação. Era engraçado.

A fama de gay o prejudicou?
Perdi trabalhos publicitários por causa disso. Quando fui fazer um comercial sobre o lançamento de um edifício na Barra da Tijuca, um produtor me disse para eu ficar à vontade na hora de gravar. Eu estava relaxado, mas ele insistia. Pedia para ser mais natural, como eu era. No final das contas, fui entender que ele achava que eu fosse gay e queria que interpretasse o papel de um homossexual. Eu me diverti muito com aquele episódio.

Você faz parte de uma geração que viveu o auge da liberação sexual. Participou dela?
Sim. Hoje, infelizmente, o sexo está muito ameaçado pela Aids. Por mais que as pessoas usem camisinha, elas têm medo de que o preservativo fure e nem sempre se sentem à vontade para transar. Antigamente existia uma liberação tão bacana e muito mais divertida. Com os anticoncepcionais, o sexo deixou de ser tabu e as pessoas eram mais felizes. Hoje não se permite mais a promiscuidade, que era sinônimo de farra para as pessoas avulsas, solteiras. Sempre brinco com meus amigos cafajestões: que saudades da gonorréia!

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