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Drama

Amélia
Dominação cultural é tema do novo filme de Ana Carolina

Alessandro Giannini

Divulgação
A diva (Béatrice Agenin) e a onça:
tabu assimilado e vampirizado

Livremente inspirado na passagem de Sarah Bernhardt pelo Brasil no início do século, Amélia está longe de ser uma cinebiografia da grande atriz francesa. O novo filme da diretora Ana Carolina, que entra em cartaz nacional a partir de sexta-feira 25, usa a personagem como pretexto para criar uma metáfora sobre o colonialismo e a dominação cultural a que somos submetidos desde sempre.

Amélia mostra o encontro de dois mundos muito diferentes e desiguais. De um lado, Sarah Bernhardt (a francesa Béatrice Agenin), um mito de proporções gigantescas para o Rio de Janeiro do início do século. De outro, três matutas saídas do interior de Minas Gerais, seres humanos reduzidos a uma condição quase animal em função do isolamento e da miséria.

O elo de ligação entre os dois grupos é Amélia (Marília Pêra, numa participação muito pequena), camareira brasileira de Sarah Bernhardt e responsável pela vinda da atriz ao País. Ela é irmã de duas das mulheres que saem de uma fazenda em Minas para ir ao seu encontro no Rio.

Uma cena em especial, muito bem filmada, resume com perfeição as questões centrais do filme. Francisca (Míriam Muniz), Oswalda (Camila Amado) e Maria Luiza (Alice Borges) chegam ao luxuoso hotel onde haviam combinado encontrar Amélia. Mas no lugar da camareira aparece a francesa Vincentine (Betty Gofman), uma espécie de produtora da companhia e braço direito da grande diva.

O diálogo de surdos, com ambas as partes tentando se entender das maneiras mais absurdas, praticamente se repete durante todo o resto do filme. Essa ênfase exagerada chega a incomodar em alguns momentos, dando a impressão de que não existe fluência. É só uma maneira de marcar o abismo que existe entre essas pessoas de hábitos e culturas tão distintas.

Ana Carolina narra no limite entre o drama e a comédia, deixando uma porta aberta para o tragicômico. A verdade é que nem sempre acerta a mão, o que torna o filme descompensado em alguns momentos. A seu favor compete o talento de um elenco muito bem escolhido e coeso, no qual despontam a francesa Béatrice Agenin e a veterana Míriam Muniz.
O abismo entre dois mundos

 

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