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José do Rêgo Maciel, 92 anos

O pai do vice-presidente
Pai de Marco Maciel, ele defende a prisão perpétua e orgulha-se de ter criado o sistema de bibliotecas volantes quando foi prefeito de Recife nos anos 50

André Barreto, de Recife

Geyson Magno/Ag. Lumiar
Arquivo Pessoal
José do Rêgo Maciel caminha meia hora pela praia antes de inteirar-se das notícias: “As crises são fabricadas pelos interesses da oposição”, acredita. Na foto menor, na formatura no curso de Direito, em 1930

Papainho” chega aos 92 anos exibindo vitalidade. Os nove filhos não dispensam esse tipo de tratamento desde a infância. Nem mesmo o mais ilustre deles, o vice-presidente da República, Marco Maciel. O funcionário aposentado José do Rêgo Maciel é um exemplo de disposição. O patriarca desperta às 5h30. Toma seu iogurte antes de fazer a rotineira caminhada à beira da praia de Boa Viagem, em Pernambuco, com duração de meia hora. No retorno, completa o café da manhã com frutas, bolachas e leite. Em seguida, dedica-se à leitura dos jornais e assiste aos telejornais. Depois, faz questão de debater os principais assuntos nacionais com Marco Maciel. “Ele sempre me ouve e é dedicado”, diz.

A política começou a correr nas veias de José do Rêgo no ambiente acadêmico. Advogado, foi secretário da Fazenda de Pernambuco de 1939 a 1945, deputado federal de 1948 a 1951 e depois prefeito de Recife, no período de 1952 a 1955. Em 1955, voltou ao Rio de Janeiro para assumir nova vaga na Câmara dos Deputados. Sua carreira política, no entanto, foi entremeada de cargos no serviço público em Recife, onde foi promotor público, juiz municipal e procurador do Estado na década de 30. Aposentou-se como consultor geral do Estado em 1978. “Entrei na magistratura para sair dela. Queria exercer um cargo público e fazer política”, diz. Fundador do antigo Partido Social Democrata (PSD), que levou Juscelino Kubitschek à Presidência, o “papainho” foi pioneiro ao adotar no Recife o sistema de bibliotecas públicas volantes.

Esse pioneirismo deu-se à frente da prefeitura recifense. “Eram as melhores bibliotecas públicas do Brasil”, elogia o escritor pernambucano Francisco Bandeira de Melo. Apaixonado pela literatura e definindo-se como um homem culto, ele sempre acreditou que os livros seriam um dos instrumentos para exterminar as mazelas sociais. Por isso, ergueu duas bibliotecas fixas na capital pernambucana. Paralelamente, montou livrarias em chassis de ônibus que percorriam os bairros da cidade. “Lamento não ter feito mais pelo povo de Recife.”

De família abastada, José do Rêgo nasceu em 1908 em Pesqueira, a cerca de 200 quilômetros da capital pernambucana. Ao concluir o curso de Direito, em 1930, foi nomeado promotor público da cidade vizinha de Amaraji. Seus planos de casamento só viriam depois que estivesse “colocado” na vida. Ele casou-se no dia 8 de dezembro de 1932 com Carmem Sylvia de Oliveira, em João Pessoa, na Paraíba. A contabilidade familiar é vasta: tem nove filhos, 25 netos e 20 bisnetos. Este ano vão comemorar uma união de 68 anos.

NA GUERRA Em 1939, ano em que estourou a Segunda Guerra Mundial, o pai ajudou na formação do diretório regional do PSD, do qual chegou à presidência. Foi um período em que as viagens do Recife ao Rio de Janeiro, então capital do País, eram feitas de navio e duravam em média cinco dias. As embarcações seguiam rumo ao destino em comboio. Ainda assim, havia o receio de serem atingidas por algum torpedo, já que a capital pernambucana foi um centro estratégico do bloco aliado. “Os americanos diziam que Recife terminaria invadido”, relembra. “Eu não acreditava nessa possibilidade”, completa.

José do Rêgo foi cogitado para concorrer ao governo de Pernambuco no pós-guerra. Declinou da idéia, por considerar a situação desfavorável naquele momento. Do primeiro mandato de deputado federal exercido no Rio, o pernambucano guarda as lembranças de seu convívio com o conterrâneo Barbosa Lima Sobrinho, então governador daquele Estado. “Antes de eu embarcar para o Rio de Janeiro, em 1948, ele me ofereceu um jantar de despedida”, lembra. Dessa época, recorda-se das viagens a bordo do navio Pedro II. “Era o melhor da frota e fazia a viagem em três dias, quase o mesmo tempo que gastavam as embarcações da armada real inglesa, as mais rápidas daquele tempo.”

O homem que cuidou da formação do vice-presidente Marco Maciel defende a prisão perpétua e critica a sucessão de crises políticas no País. “Acredito que essas crises são fabricadas pelos interesses da oposição.” José do Rêgo nutre outras paixões. Devoto de Nossa Senhora da Conceição, nunca deixa de ir à missa nas tardes de sábado e é vidrado pelo Santa Cruz Futebol Clube, do qual foi presidente. Tanto que ele empresta seu nome ao estádio do time pernambucano. Sua outra devoção se dá na mesa. Só peca por gula quando o prato é tapioca. “É difícil resistir”, assume.

José do Rêgo Maciel, com o vice-presidente em 1994, conversando sobre os assuntos de política
Conversando com o então jornalista Assis Chateaubriand, no Carnaval de 1954
Ao lado de Marco Maciel, recebendo a bênção do papa João Paulo II, em 1987

 



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