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Rodeio

O caubói magnata
O fazendeiro Henrique Prata tem 20 mil cabeças de gado, um hospital que atende gratuitamente pacientes de câncer e é um dos competidores da Festa do Peão de Barretos

Cesar Guerrero

Reprodução
Henrique Prata, na fazenda onde recebeu os artistas e durante o rodeio de 1997 (no detalhe): “Eu não tinha tempo para me dedicar aos estudos”

Henrique Prata é um dos homens mais influentes da tradicional Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, que acontece entre os dias 18 e 27 deste mês. Aos 47 anos, ele administra uma das maiores fortunas da região. Uma área de 15 mil hectares de pasto, que abriga 20 mil cabeças de gado de corte, divididas em cinco fazendas. As propriedades estão espalhadas nos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e São Paulo. Além disso, dirige um hospital especializado em câncer que atende até 1.100 pacientes por dia. Na semana do evento, Henrique transforma-se em um típico caubói. Mais. Como peão de boiadeiro, desafia por oito segundos os cavalos na arena projetada por Oscar Niemeyer. “Monto muito bem”, se vangloria. “Fiquei em terceiro lugar em 1997.”

Este ano não será diferente. Henrique está pronto para repetir sua maratona na festa que atrai cerca de 1,5 milhão de pessoas a Barretos, cidade a 428 quilômetros de São Paulo. Mas seu envolvimento tem retorno comprovado. A renda da bilheteria do show da abertura do evento, cifra calculada em R$ 200 mil, vai para os cofres do hospital. “A instituição não sobreviveria sem esses recursos”, diz Henrique. As celebridades que lá transitam também não ficam fora dessa empreitada. A bilheteria do show Amigos de 1998, por exemplo, que reuniu Zezé di Carmargo e Luciano, Chitãozinho e Xororó e Leonardo, foi revertida para seus projetos sociais. Foi assim que seu hospital saiu do vermelho, depois de enfrentar uma crise em 1990. “Ele faz um trabalho de alto nível e se tornou nosso amigo”, diz Chitãozinho à Gente. “A gente ajuda com o maior prazer.”

Filho de médicos, Henrique nasceu na capital paulista, em 1952. Época em que seu pai, Paulo, e sua mãe, Scyla, completavam o doutorado em oncologia na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Interessado pela fazenda do avô Antenor, o rapaz deixou claro que não seguiria a vocação dos pais. Enquanto o casal especializava o Hospital São Judas Tadeu, de Barretos, no atendimento a pacientes com câncer, o adolescente passava seus dias negociando gado em companhia do avô. “Nós íamos para Mato Grosso a cavalo e voltávamos com centenas de cabeças de gado”, lembra.

FAZENDEIRO MIRIM Aos 12 anos, demonstrava um talento nato para negociar sementes e animais. Impressionado com o interesse do neto, Antenor resolveu fazer uma experiência e deixou o menino administrar sozinho uma de suas fazendas. Com 16 anos, Henrique foi emancipado pelos pais para que pudesse fazer um empréstimo no Banco do Brasil. Com o dinheiro, cobriu 1.200 hectares de terra com pés de laranja. Recuperou o valor investido com boa margem de lucro.

O sucesso na primeira empreitada fez com que o avô delegasse mais responsabilidades. Aos 18 anos, Henrique tocava propriedades no Paraná e Mato Grosso. Apesar da carga horária, completou o supletivo. Mas não cursou a universidade. Tirou o brevê de piloto para conduzir o avião particular do avô e reduzir o tempo de viagem. Com trabalho e ajuda da família, comprou sua primeira fazenda no Mato Grosso do Sul, em 1980. A partir daí começou a vender boi gordo.

“Eu comprava os animais mais magros que encontrava, pagava pelo peso, e deixava engordando”, explica o pecuarista.

Reinvestindo os lucros na própria terra, Henrique aumentou seu patrimônio. Hoje, tem sua própria aeronave para vistoriar as propriedades. “Viajo sozinho, sem co-piloto”, diz. As fazendas do avô, falecido em 1983, ainda estão sob sua responsabilidade, mas pertencem a sua mãe Scyla. “Tudo que eu tenho devo ao meu próprio esforço e ao aprendizado com meu avô”, confessa. Casado há 26 anos, ele espera que os filhos sigam sua vocação. Dois deles, Adriana e Antenor já estão trabalhando na fazenda. O mais velho, Henrique, escolheu a carreira de advogado. Se herdar a determinação do pai, logo será ministro do Supremo.

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