CAPA
 ÍNDICE
 BASTIDORES
 ENTREVISTA
 URGENTE
 IMAGENS DA  SEMANA
 DIVERSÃO & ARTE
 MODA
 AGITO
 ACONTECEU
 TRIBUTO
 CELEBRIDADE
 TESTEMUNHAS DO  SÉCULO 
 EXCLUSIVAS
 INTERNET
 CLICK
 BUSCA

Política

Nicéa arregaça as mangas
A ex-mulher de Celso Pitta vende jóias da família para manter o padrão de vida, economiza pintando a própria casa e se prepara para voltar a trabalhar

Cesar Guerrero

Piti Reali
“Não sou profissional, mas está ficando bonito. O único problema são os pingos de tinta no carpete e no meu cabelo’’
Nicéa Pitta

Quem pensa que Nicéa Pitta saiu de cena, está enganado. A ex-primeira dama de São Paulo pretende retomar a profissão de corretora de imóveis, que abandonou quando deixou o Rio de Janeiro com o então marido Celso Pitta. “Ainda tenho receio de sair de casa”, diz referindo-se às ameaças de morte que recebeu por conta das denúncias contra a prefeitura de São Paulo.

Para retomar a carreira interrompida, Nicéa faz um levantamento das propriedades à venda na cidade. Todas as manhãs, depois de ler os jornais, ela registra no computador as ofertas de imóveis. “Quero fazer um bom cadastro antes de começar a oferecer.” Enquanto monta uma imobiliária em casa, a ex-primeira dama sobrevive da venda de jóias da família. Já se desfez de um colar de ouro e um par de brincos com rubis incrustados, feitos por um artesão italiano no século passado. Para conseguir o valor de R$ 80 mil, teve de enfrentar o calvário de quem está com as contas estouradas. Procurou a Caixa Econômica Federal, que tem serviço de penhor. Mas o banco ofereceu uma bagatela. “Voltei chorando, ao lado de meu filho Victor. Eu me senti humilhada”, diz Nicéa. “O valor que ofereceram era um insulto.” Conseguiu, então, vender as jóias por um bom preço, segundo ela, para um casal de colecionadores, indicados por amigos. Com o dinheiro em caixa, Nicéa pôde manter em dia o salário de duas empregadas domésticas e a prestação do condomínio do apartamento, no Jardins, área nobre da capital paulista. “O Celso não me dá um tostão”, diz Nicéa.

Desde que fez denúncias de corrupção contra o prefeito, há cinco meses, Nicéa passou a viver de forma bem diferente da época em que participava de glamourosas recepções e o acompanhava em viagens pelo mundo. Hoje controla as contas do lar para chegar ao fim do mês. Ela não tira o pé para fora de casa sem vestir um grosso colete à prova de balas e vive cercada de policiais militares. E seu círculo de amizades ficou restrito à família. “Se soubesse que teria a paz que eu tenho hoje, teria feito as denúncias muito antes”, garante.

Piti Reali
Nicéa diante do oratório onde reza todos os dias. A imagem de Jesus crucificado, com ornamentos em ouro e rubi, está avaliada em R$ 300 mil

O novo estilo de vida mudou a silhueta da ex-primeira dama. A balança em sua casa registra seis quilos a mais. “Eu engordei porque me sinto mais tranqüila”, garante. Não é só isso. Os quilos a mais são reforçados ainda por dez garrafas de água de coco que consome todos os dias. Por não sair mais de casa, suas andanças se restringem aos 300 metros quadrados do apartamento. Por isso, abraçou a gastronomia como forma de matar o tempo.

E não sai da cozinha, que reformou há cinco meses. A reforma começou em janeiro quando houve vazamento de água nas torneiras da pia da cozinha. Por conta disso, Nicéa decidiu reformar armários, piso, azulejos das paredes e pia, que foi reforçada com a colocação de pedras de granito. E claro, a torneira. Por causa do vazamento, o condomínio assumiu parte das despesas da reforma. Mas a fatia de Nicéa ficou em R$12 mil. Naquela época, ela ainda contava com a ajuda financeira de ex-marido Pitta e do ex-amigo, o empresário Jorge Yunes.

UNHAS LASCADAS Os problemas de encanamento se estenderam para os quartos. Mas Nicéa não teve fôlego financeiro para continuar a reforma, decidiu arregaçar as mangas e adotar o estilo “faça você mesma”. Tem passado seus dias descalça, vestida com jeans e camiseta, em cima de uma escada portátil. Nicéa está pintando os dormitórios. As unhas bem-feitas não existem mais. A ex-primeira-dama tem tinta impregnada debaixo de cada uma delas. “Não sou profissional, mas até que está ficando bonito”, comemora. “O único problema é que não consigo evitar os pingos de tinta no carpete e no cabelo.”

Nos últimos dias, a Justiça determinou a hipoteca judicial de 50% do apartamento, já que a outra metade está bloqueada desde 1997. “Eu já entrei com recurso para anular a hipoteca”, diz Nicéa. Sua ira é tanta que, além de buscar mais provas contra o ex-marido, ela já declarou seu voto para as próximas eleições em outubro: Marta Suplicy, do PT. “Eu sei que ela vai investigar o mar de lama que tomou conta da cidade”, diz.

De quebra, estendeu sua influência ao resto da família. Tanto que Roberta, sua primogênita, tornou-se uma espécie de cabo eleitoral da petista, em Nova York, onde mora desde 1998. Ela recomenda o voto em Marta a todos os paulistanos que encontra na Universidade Colúmbia, onde estuda a língua inglesa. Roberta deve voltar ao Brasil em setembro para passar as férias com a mãe. “Ela não quer nem ouvir falar do pai”, diz Nicéa.

 

Leia Também

Vitória dos Senna

Boninho, diretor de No Limite, na trilha do pai

Zeca Camargo dá o pulo do gato

Um casal modelo

No páreo das duas rodas

Estrela sem adereços

Dona Marlene e seus dois maridos

No ritmo do pop brasileiro

Dublês de auditório

Nicéa arregaça as mangas

O caubói magnata

Da telinha para a telona

A volta por cima de Mateus Carrieri



| ISTOÉ ONLINE | ISTOÉ | DINHEIRO | PLANETA |ÁGUA NA BOCA |EDIÇÕES ANTERIORES | ESPECIAIS |
| ASSINE A NEWSLETTER | ASSINATURAS | EXPEDIENTE | FALE CONOSCO | PUBLICIDADE |
© Copyright 1996/2000 Editora Três