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Música

Dublês de auditório
Atores paulistas são contratados para “substituir” integrantes da banda Mundo Livre S/A em gravações de videoclipes e programas de tevê

Ramiro Zwetsch

Silvana Garzaro

Rachel Silveira Ripani, 24 anos, mergulhou de corpo e alma no silicone. Não apenas seus seios, mas suas belas pernas, os cabelos loiros e tudo mais são constituídos 100% à base da substância, descartando materiais ultrapassados, como carne e osso. José de Paiva Filho, 25 anos, Petra Schwarz, 27, Manoel Levy Candeias, 24, e Leonardo da Costa, 20, também aderiram à moda materializando-se nas primeiras criaturas representantes da espécie SDS – Silichomo Digital Sapiens. Os novos seres, ressalte-se, são gente normal contratada para substituir os integrantes da banda pernambucana Mundo Livre S/A em qualquer aparição na mídia. Quanto ao silicone, tudo não passa de uma brincadeira inventada por Fred 04, líder do Mundo Livre S/A, ironizando a febre de implantes entre atrizes e modelos brasileiras.

“Somos vendáveis e temos capacidade de nos adaptar a qualquer circunstância para continuar assim”, avisa SDS 3, “interpretado” por Manoel Levy, um dos cinco atores amadores contratados pela gravadora Abril Music. Sem memória ou passado, os “novos seres” ainda não sabem o quanto dura sua existência. “Quanto mais o público nos amar, maior será a nossa validade”, diz SDS 3.

Divulgação
O grupo Mundo Livre S/A (no palco) e seus clones: uma imagem mais pop e mais comercial para vender a banda na mídia

A criação dessa “nova espécie” traz uma solução original para um problema prático dos integrantes do Mundo Livre S/A. “Percebemos que a distância entre a demanda da indústria e a atitude da banda estava ficando muito grande”, explica Fred 04. “Estamos cada vez menos dispostos a prestar um serviço pela embalagem do produto.” Com a formação da “banda dublê”, os músicos do grupo escapam de armadilhas da mídia, tais como a gravação de playbacks em programas de tevê. Além disso, Fred 04 e companhia não deixam de fazer sua crítica à indústria de entretenimento. “Estamos propondo uma reflexão sobre até que ponto a valorização da imagem não compromete a qualidade artística”, acrescenta o compositor.

Para os atores, a idéia do Mundo Livre S/A é uma forma nova de trabalho. “Estamos participando de um protesto”, orgulha-se Rachel. “É muito legal chamar a atenção do conteúdo para um público acostumado à valorização da embalagem.” Concentrados na caracterização dos seus personagens, no entanto, os atores são orientados a não revelar suas histórias pessoais e não emitir opiniões próprias, reassumindo rapidamente a identidade fictícia. “Imagem é tudo, música é o de menos”, diz SDS 2, anunciando o lema dos seres de silicone. Quem quiser conferir o desempenho dos protótipos da “nova raça” poderá conhecê-los em setembro, quando o videoclipe de “Melô das Musas” entra na grade de programação da MTV.

Por Pouco

A imagem do Mundo Livre S/A foi terceirizada mas a música continua com a marca do grupo pernambucano. Com arranjos menos nervosos e mais próximos do samba do que nos três discos anteriores, Por Pouco mantém a mistura de estilos. Cavaquinho, punk rock, Tom Jobim, ciranda, Jorge Benjor e ska entram no liqüidificador, em uma receita musical que dá muito caldo. As letras atacam desde a banalização do samba – caso de “Mistério do Samba” – até o imperialismo norte-americano, cantado em “Batedores” e “Concorra a um Carro”. Os assuntos podem soar ácidos – e até incompreensíveis – aos ouvidos condicionados à mesmice radiofônica, mas trazem um incorformismo que faz falta à arte. Sem radicalismo, sobra criatividade para falar de temas “mais leves” – e igualmente necessários – como o amor, retratado na irresistível e novíssima bossa, “Meu Esquema”. “Mexe Mexe” – canção inédita de Jorge Benjor – reforça a ode à mulher, também presente em “Melô das Musas” e “Treme -Treme”. “Minha Galera” – música do francês Manu Chao que enumera alguns dos atrativos tropicais do Brasil – conta com a participação dos conterrâneos da Nação Zumbi, Mestre Ambrósio e Comadre Florzinha. Com cavaquinho evocando o samba e percussão citando o maracatu, a faixa traz aquele suingue tipicamente pernambucano.

 

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