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Família

Dona Marlene e seus dois maridos
A mulher que inspirou a protagonista do filme Eu Tu Eles, de Andrucha Waddington, ganhou uma televisão, espera por uma geladeira e ainda vive com dois dos três maridos no sertão do Ceará

Cristian Avello Cancino de Morada Nova (CE)

Piti Reali
Marlene, entre Oscar e Chico, na casa em Quixelô....

Maria Marlene Sabóia da Silva e seus dois maridos vivem na mesma casinha de pau a pique, com seis cômodos, em Quixelô, povoado a 150 quilômetros de Fortaleza. Ali moram com quatro de seus sete filhos, meia dúzia de gatos, seis ovelhas, um porquinho, uma vaca e alguns jumentos e galinhas. Na cidade, é só perguntar que todos a conhecem. “É a mulher que tem um monte de maridos!” A partir de sexta-feira 18, com a estréia nacional do filme Eu Tu Eles, de Andrucha Waddington, o grande público vai conhecer a Dona Flor do sertão.

O roteiro conta a história de uma mulher que vive com três maridos, no sertão cearense. É tudo verdade. Como no filme, eles dividem o mesmo quarto, mas não a mesma cama: dormem em redes, porque na casa não há camas. Mas agora, Marlene não tem mais três companheiros. Em 1997, José Eduardo Ferreira, o Zé, foi embora. Ele era o mais novo de todos, tinha 34 anos. Ela nunca mais soube dele. “O povo diz que morreu, mas não acredito, não. Agora fiquei com esses dois velhos que só me dão trabalho”, diz Marlene olhando para seus dois homens, Francisco Sabóia, 70 anos, o Chico, e Oscar Sabóia da Silva, 69 anos, que são primos. Nenhum deles contesta. “Tô neutro, não falo com ninguém”, disfarça Oscar, que é o marido oficial, com quem Marlene, de 54 anos, é casada no civil.

Oscar é neurastênico, segundo Marlene, e se irrita com facilidade. “Foi o médico que falou. Levei ele para internar numa casa de saúde, mas fugiu”, conta ela. “Ele é muito do atrevimento. Quando vai buscar dinheiro no banco, encara o guarda e manda ele dar um tiro nele.” Marlene garante que Oscar não reclamou quando recebeu o primo para dividir a mulher e a casa. Na vida real, não parece impor a submissão de Marlene, como no cimena. Mas, Em junho, o filme foi exibido na praça da cidade e Oscar nem quis ir ver Lima Duarte interpretar seu papel. Marlene, que no filme é vivida por Regina Casé, chegou à praça só com Chico (Stênio Garcia) “Gostei do filme. No dia, só tinha o Luiz Carlos (Vasconcelos). Disse a ele: tu é muito pouco. Bonito é o Stênio Garcia.”

Marlene vai receber 3% do lucro de bilheteria. Até agora, ela ganhou uma televisão do diretor Andrucha Waddington. “Agora posso ver jogo de futebol, a novela Uga Uga e o Silvio Santos”, diz ela. Mas reclama da geladeira que lhe foi prometida pela produção do filme. “Não chegou.”

PRESOS PELO “BUCHO” Na casinha de pau a pique, Marlene prende os maridos pelo “bucho”. Sem hesitar, aponta quem são os pais de cada filho. Teve duas filhas com o Oscar: Jarlene, que morreu de desidratação, e Marclene, que não mora mais com eles. Erasmo, o quarto filho, nasceu de uma “pulada de cerca” com Francisco Paulo Ribeira, que conheceu na cidade de Quixeramobim. Com Chico teve Edicarlos, seu quinto rebento. Com Zé teve Wellington, o mais novo. Clésio, o mais velho, é fruto de seu primeiro namoro, “com um tal de Vicente que foi meu primeiro homem”. Todos os filhos dela levam o sobrenome Silva Sabóia. “É que o Oscar é quem registra os meninos, sendo filho dele ou não.” Quanto à comida para alimentar todo mundo, Marlene diz que Chico é quem prepara. “Ele também presta para caçar”. Quando o tema é sua rotina sexual, Marlene desconversa e desmerece. “Aqui não tem homem não. Só coitado.” Mas não esconde seu apreço pelo sexo masculino. “Gosto muito de homem. Não de frouxo.”

Os três maridos nunca brigaram. “Briga mesmo foi do Zé com o Erasmo, meu filho.” Ela conta que uma noite os dois tinham bebido muito, foram a um forró e o rapaz acertou o queixo de Zé com uma pedra. “Erasmo bebeu tanto que a bebida ofendeu seu coração”, conta Chico. Marlene sente falta de Zé: “Ele me levava para onde a gente quisesse ir, era mais dono de casa que esses dois”. Para ela, os dois maridos e as crianças já “são muita natureza para uma mulher só”. Marlene diz que anda cansada e não pretende ter mais maridos. “Eu mandei esses dois procurarem mulher, mas eles não fizeram.” Enquanto isso, o tempo passa no sertão e a história de Marlene fica. Em celulóide e na memória de quem assiste ao filme ou a conhece de pertinho.

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