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Carlos Vereza

 

“Vi um trailer da morte”
De volta à tevê, o ator diz que usou drogas como fuga e quis morrer ao ter depressão

Rosângela Honor

Leandro Pimentel
“Tomava quilos de antidepressivos e bati o carro. Cheguei ao Lar Frei Luís em cadeiras de rodas. Me curei com cirurgia espiritual. Hoje sou diretor lá”

Todas as quartas-feiras, Carlos Vereza, 60 anos, vai ao Lar Frei Luís, centro espírita em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, para dar conforto aos que buscam cura para doenças. Foi ali que ele se recuperou de problemas auditivos depois de ter sido atingido por pólvora numa gravação de um episódio de Delegacia de Mulheres, há dez anos. A doença fez com que mergulhasse numa crise de depressão profunda, que o levou ao término de um casamento de 15 anos. Pai de duas filhas, Larissa, 19, e Diana, 4, e avô de Dominique, de 4 meses, ele está de volta ao vídeo na novela das seis, O Cravo e a Rosa, depois de dois anos fora da tevê. Nesse período, percorreu o Brasil com o recital Acordes, no qual tocava flauta. Ex-integrante do Partido Comunista, Vereza conta, em entrevista à Gente, que é eleitor de Fernando Henrique Cardoso e que já foi convidado a se candidatar ao Senado. Com 41 anos de carreira, mais de 30 peças e 20 novelas no currículo, ele foi dependente de anti-depressivos por quatro anos. Depois de quatro uniões desfeitas, o ator está namorando a atriz Rejane Arruda, 24 anos, sua colega em O Cravo e a Rosa.

Você faz parte do time de atores que fazia tevê ao vivo. Hoje os critérios passam pela beleza...
Mas eu sou um avô sarado. Até acho bonito um corpo malhadinho, mas existem outros valores, que é você ser um bom ator. É legal que o cara faça bem o ofício que escolheu, mas não tem que ficar barrigudo e nem despencado. Só que existe a lei da gravidade, não tem como brigar contra isso.

Tem medo de envelhecer?
Não. Estou com 60 anos e não passei por crises por causa da idade. Só vou ter crises quando perder a minha capacidade de me espantar, de demonstrar indignação ou querer agradar a todo mundo.

Você foi usuário de drogas?
Fui. Na ditadura, tínhamos duas alternativas: fugir do País ou entrar para a luta armada. Foi uma pressão muito forte, tínhamos que fazer alguma coisa para não enlouquecer. Então durante um período, não só eu, como a minha geração, apelamos para esse tipo de fuga. Mas percebemos que aquilo era uma arma da ditadura. A maioria conseguiu sair a tempo.

É a favor da liberação da maconha?
Há três anos, eu levantei sozinho uma bandeira contra a legalização da maconha. Gente importante, como o Nelson Jobim (ex-ministro da Justiça de FHC), ficou jogando para a platéia, dizendo que era legal legalizar. A defesa da legalização ajudou a liberar um tipo de comportamento favorável ao narcotráfico que contaminou o Judiciário, o Executivo e o Legislativo. Hoje, o assunto está banalizado. Mesmo assim, vamos sentir saudade de Fernando Henrique Cardoso.

O que o leva a afirmar isso?
Eu me lembro bem da ditadura militar. Por isso, me espantei outro dia quando ouvi um deputado dizendo que este é o pior governo da história do Brasil. E o Médici (ex-presidente General Emílio Garrastazu Médici), o que foi? Um democrata? Ou esse rapaz não viveu o período da ditadura ou está jogando para a platéia porque tem eleição por aí.

É eleitor de Fernando Henrique?
Fui e serei eleitor de Fernando Henrique se ele se candidatar novamente. É preciso entender que ele pegou uma herança muito pesada de desarrumação nas contas públicas, de um país carente da reforma agrária. E este governo foi o que fez o maior número de assentamentos.

Sofre algum patrulhamento?
Sofro, mas não ligo. Quando combati a legalização da maconha me chamaram de careta, conservador. Mas não sou teórico, eu já fumei, já usei drogas. É fácil e confortável compartilhar de uma posição pré-estabelecida. Não que eu seja um contestador de carteirinha. O narcotráfico não é charme do Posto 9, em Ipanema, ele está em todo lugar.

Pensa em se tornar político?
Na época de O Rei do Gado, fui convidado para me candidatar a senador. Eu ri. É um terreno muito limitado. Se fosse eleito, a primeira coisa que faria seria convocar a nação para a aplicação do método Paulo Freire. Alfabetizaria o País em cinco anos. Só que isso significaria que as velhas oligarquias não seriam mais eleitas. Então, na segunda semana, já estaria detonado. Prefiro ser útil às pessoas como voluntário do Frei Luís. Não quero minha imagem atrelada à política.

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