CAPA
 ÍNDICE
 BASTIDORES
 ENTREVISTA
 URGENTE
 QUEM SOU EU?
 IMAGENS DA  SEMANA
 DIVERSÃO & ARTE
 MODA
 AGITO
 ACONTECEU
 TRIBUTO
 CELEBRIDADE
 TESTEMUNHAS DO  SÉCULO 
 EXCLUSIVAS
 INTERNET
 CLICK
 BUSCA

Esporte

Sob a mira da galera
Locutores e comentaristas esportivos tornam-se os maiores alvos da violência e das hostilidades por parte da torcida nos estádios de futebol

Gustavo Maia

Helcio Toth
“Eles me disseram que estavam armados e que iam me matar se eu não entrasse no carro e fosse embora para São Paulo’’ Juca Kfouri, do programa Bola na Rede

Estar atento ao movimento da torcida, não se importar com provocações, mesmo que as vaias atinjam diretamente a mãe amada. E tem mais: manter condição física invejável caso tenha de sair correndo até a chegada da tropa policial. Foi-se o tempo em que esses mandamentos se destinavam apenas ao juiz, aquele solitário homem de preto que perambula pelos gramados. A hostilidade dos torcedores não é mais exclusividade dessa profissão. Ela extrapolou para cabines de transmissão. Ao ponto de antecipar a aposentadoria de ícones do jornalismo esportivo. “Repensei minha vida e decidi que não vale a pena viver esse risco”, desabafa o narrador Luciano do Valle, que encerra uma carreira de 37 anos. “Eu vou parar.”

A promessa do narrador de esportes será cumprida ao final das Olimpíadas de Sydney, que começam em 15 de setembro. Mas a sua retirada do universo futebolístico vai ser parcial. Luciano do Valle matará a saudade da profissão quando narrar algumas partidas do futebol pernambucano. A opção tem seu motivo. O locutor procurou um local paradisíaco para aposentar as chuteiras. Mudou-se para Porto de Galinhas, litoral de Pernambuco, onde mora com a mulher Luciana. “O torcedor não sentirá minha falta. Se agem assim, é porque não gostam de mim”, diz.

As turras de Luciano do Valle com a profissão tiveram início quando ele quis inovar, em meados dos anos 90. Nessa época, o narrador de futebol teimou que a segunda divisão do futebol paulista deveria ter destaque na tevê. Num confronto entre Ituano e Matonense, Luciano se empolgou e rasgou elogios ao design da camisa do time de Matão. Foi o suficiente para despertar a ira dos torcedores rivais. “Eu fiquei 40 minutos preso numa cabine, com mais de mil torcedores forçando a entrada”, lembra. “Eles queriam me pegar de qualquer jeito.”

Pode ser que Luciano não faça falta para muitos torcedores. Mas para o esporte nacional, fará. Foi ele quem, na década de 80, transformou a cobertura esportiva na televisão nacional. À frente da equipe da Rede Bandeirantes, tirou do anonimato várias modalidades esportivas. A sinuca, por exemplo, saiu dos botecos de esquina e ganhou espaço privilegiado na televisão nacional. Resultado: o brasileiro passou a torcer pelas estratégicas tacadas e encaçapadas de Ruy Chapéu. As transmissões intensivas da seleção de masters e a Fórmula Indy trouxeram Rivelino e Emerson Fittipaldi de volta à cena. Luciano, assim, transformou o Show do Esporte numa referência esportiva como jamais se viu na história da televisão brasileira.

PROTEÇÃO BÉLICA Hoje, para falar com Luciano nos estádios, qualquer um tem de passar por uma barreira composta por três brutamontes vestidos como seguranças. No entanto, há quem despreze esse recurso. Silvio Luís é um deles. Durante anos, o locutor carregou um revólver na cintura. Junto com a pistola, o porte de arma. “Nunca precisei usar, mas estava preparado para o pior”, diz.

Piti Reali
“Fiquei 40 minutos preso na cabine, com mil torcedores forçando a entrada. Queriam me pegar. Não vale a pena. Vou parar ’’ Luciano do Valle, da Rede Bandeirantes

Os atritos com a torcida verde, por exemplo, começaram em 1994, quando Silvio chamou o atacante Edmundo, então craque do Palmeiras, de canalha. “Falei quando ele agrediu o André Luís num jogo contra o São Paulo. E criticaria novamente.” A partir daí, sua vida mudou. Ironicamente, o narrador, que ficou conhecido pelo jargão “pelo amor dos meus filhinhos”, teve seus rebentos ameaçados por um torcedor palmeirense que fazia ligações anônimas à sua mulher, a cantora Márcia. “Foi uma época difícil de superar”, lembra.

Falar do vaivém da bola no gramado não é fácil para quem tem coração esportista. Juarez Soares, da TV Cultura, outro ícone brasileiro dos comentários esportivos, já passou por situações semelhantes e hoje consegue detectar o calcanhar-de-aquiles da profissão: “A paixão fala mais alto”, diz Juarez. “Se os torcedores não gostarem do comentário, agridem mesmo. Mas prefiro levar um tapa na cara a deixar de dar meu parecer.”

Próxima >>

 

Leia Também

A vez de Ana Cláudia

Está no ar o rock gaúcho

Sob a mira da galera

Deborah Secco: Com charme de anjo mau

Um brinde à gente

Galvão vai ser papai

Mion O filé da MTV

Um mito que volta

Drama de pescador

Carisma de sobra

A senadora abraça a palavra de Deus

Atriz que brilha
longe da tevê



| ISTOÉ ONLINE | ISTOÉ | DINHEIRO | PLANETA |ÁGUA NA BOCA |EDIÇÕES ANTERIORES | ESPECIAIS |
| ASSINE A NEWSLETTER | ASSINATURAS | EXPEDIENTE | FALE CONOSCO | PUBLICIDADE |
© Copyright 1996/2000 Editora Três