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João Gordo

“Sou escangalhado emocionalmente”
O líder da banda punk Ratos de Porão faz sucesso com talk show irreverente na MTV e diz que chorou com morte do rei Hussein e a vitória de Rubinho Barrichello

Rodrigo Cardoso

Piti Reali
“Nunca falei mamãe e papai. Isso é coisa de playboy. Com meu pai eu aperto a mão e, para minha mãe, eu peço bênção e dou beijo no rosto”

Às 10h30 de segunda-feira 31, um motorista da MTV encostava o carro em frente ao prédio do músico e apresentador João Gordo, no bairro de Moema, em São Paulo. Sua missão era inglória: acordá-lo e transportá-lo até a emissora. Uma hora depois ele concederia uma entrevista à Gente. João Gordo não só não moveu uma palha do apartamento, como começou a rasgar o verbo. “Quando o interfone tocou, comecei a rir. O cara vem me tirar da cama de madrugada!”, disse. Depois, soltou o primeiro de uma série de impropérios.

No bate-papo, que ocorreu uma hora depois em seu apartamento quarto e sala, ele soltou 82 palavrões em 40 minutos de entrevista. Ou um a cada 30 segundos. Quando dava folga para as obscenidades, pontuava as frases com “tá ligado?”, “morou?” e “falou”, gírias herdadas da época em que viveu com maior intensidade o movimento punk paulista, nos anos 80. Filho de um policial militar aposentado e de uma cabeleireira, João Francisco Benedan, 36 anos e 160 quilos, é assim. Não segura a língua quando quer ser sincero. Tanto que até o Gordo a Go-Go, talk-show apresentado por ele toda segunda-feira, às 22h30, sucesso de crítica, não fica longe de sua verborréia. “A falta de música me irrita profundamente. Não gosto do programa.”

O programa está do jeito que você queria?
Não gosto dele. Deixei de fazer o que mais entendo: falar de música. Todas as idéias que sugeri, antes da estréia, foram por água abaixo. Agora vou me vingar pedindo aumento, no final do ano, morou?

O que você curte no programa?
É f. alguém se achar engraçado, falou? Mas me acho engraçado. A abertura é o melhor. O cenário é legal, um pouco sexista, sadomasô, clubber e até meio gay, sei lá qual é.

Com o Gordo a Go-Go você volta à tevê, depois de uma infecção pulmonar que o deixou na UTI. Como se sentiu na estréia?
Tremi na base para entrevistar a Marília Gabriela. Não podia ser aquele besteirol. Só que eu vomito besteira. Tenho de manter a coerência. Difícil, cara! Sou meio gago e meio nervoso.

Isso o irrita?
Me perco. O Daniel (Benevides, diretor do programa) fica me enchendo o saco pelo ponto. Antigamente, fazia os programas doidão. Hoje, não dá.

Como anda a audiência?
Sei lá! Eles não me falam. Acham que vou ficar metido e pedir aumento. Mas vou fazer isso mesmo, assim que terminar meu contrato.

Você entrevistou o Wando porque sua mãe é louca por ele?
Pô, minha mãe é louca pela música dele. Toda vez que nos encontramos ele fala: “Sua mãe me quer, João”. E eu digo: “Você é louco, cara!” Uma vez eu disse que minha mãe era fã dele. Ele mandou um beijo para ela, com uma boca desenhada, que mais parecia uma ostra.

Como é a relação com seus pais?
Não sou chegado à família, tá ligado? Nunca falei mamãe e papai. Isso é coisa de playboy. Com meu pai eu aperto a mão e, para minha mãe, eu peço bênção e dou beijo no rosto. Fiquei oito anos sem falar com meu pai, nos anos 80. Imagina um PM com um filho punk e maconheiro.

Você é romântico com alguém?
Com mulher. Tem que ser (eheheh!). Tem que ter um chaveco de ouro.

Já chorou por uma mulher? Ela merecia isso?
Já bati cabeça na parede por uma que me deu um pé na bunda. Fiquei um ano pirado por causa desse caso.

Em que outros momentos você extravasa a emoção?
Sou meio escangalhado emocionalmente, morou? Chorei na morte do rei Hussein, da Jordânia. Vi o povo chorando e batendo na própria cabeça. Não agüentei. Chorei quando cheguei no final do jogo Tenchu do videogame. O herói morre no final, cara! Tô cagando para a Fórmula 1, tá ligado? Mas quando o Rubinho ganhou, me peguei com lágrimas nos olhos. O mais ridículo foi na final para a escolha do vocalista do É o Tchan, no Faustão, domingo passado. Quando vi aquela choradeira no palco, mudei de canal. Seria o fim chorar pela vitória do novo vocalista do É o Tchan! Seria caso de pegar o revólver e dar um tiro na cabeça.

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