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Irene Ravache

“Sou uma estrela free-lancer”

Eliane Coster
“Lá em casa, mesmo sendo a famosa, sou espectadora. Você acha que numa casa com três homens há espaço para uma mulher ser estrela?”

E como foi?
Fomos jantar juntos. Edson pegava minha mão e dizia no meu ouvido: “Esqueceu que nós somos noivos e você é apaixonada?” Aí eu deitava a cabeça no ombro dele. Quando terminou o jantar o rapaz falou: “Você vai ser muito feliz com ele.” Depois do episódio, começamos a sair e aqui estamos hoje.

Casaram-se no papel depois de 20 anos unidos, não é?
É. Em 1994, um dia ele me contou por telefone que não pôde me fazer uma surpresa pois eu tinha que estar junto. Ele disse que eu estava fazendo 50 anos e ia batizar um neto. “Você já foi mãe solteira e não tem que ser avó solteira”, falava. Imagina, ele tinha ido ao cartório para se casar sozinho.

Como?
Disse ao funcionário que eu estava gravando novela e não tinha tempo. O funcionário rebatia: “Acredito no senhor, mas ela tem que vir aqui para dizer se é de livre e espontânea vontade que quer casar. O senhor não pode casar à revelia dela.” No final perguntei: “Você está me pedindo em casamento? Eu vou pensar.”

Por quanto tempo pensou?
Dez minutos.

Já havia pensado em casar?
Às vezes. Mas sempre tinha coisas mais urgentes. Sempre nos sentimos casados. Estamos juntos desde 1971 e nos separamos durante um ano.

Foi o que selou a reconciliação?
Sim, mas tínhamos voltado quatro anos antes.

É um desafio para o ator manter o pé no chão?
Quando atuei em Sol de Verão, em 1982, os corredores da Globo foram importantes. Havia uma euforia e eu estava sendo esperada para conversar lá. Enquanto entrava, vi passando uma atriz e parei. Ela disse: “Estou há horas esperando e vou embora.” Eu pensei comigo: a gente entra e a gente sai. Se tenho a real dimensão do sucesso, que é passageiro, que não depende de mim, posso cair em ciladas. Exerço minha profissão e sobrevivo bem nela. O resto é lucro. Se não ponho um limite, a ambição não pára.

Uma vez, disse que achava que não tinha sido boa mãe, por não ter imposto limites. Como foi?
É. Sempre que vemos um filho em perigo é inevitável dizer: “Onde foi que eu errei?” Todas as mães pensam isso. Até as que não trabalham. O meu filho mais velho foi usuário de drogas. Por muito tempo me culpei. Só aprendi a lidar com isso ao conhecer pessoas completamente diferentes e com o mesmo problema. Só quando tirei essa carga de culpa pude me ajudar e ajudá-lo. A culpa e o medo são paralisantes. Ele tinha 30 anos. Há quatro anos está livre.

Ele fez tratamento?
Prefiro que ele fale. Como mãe, ao tocar no assunto, sei que ajudo gente desesperada. Recomendo grupos de narcóticos anônimos. As pessoas se decepcionam. Querem bula mas não há.

A falta de limite está por trás do envolvimento dele com drogas?
Sim. Era o único denominador comum que tínhamos. O limite não era bem colocado ou era colocado demais.

Você teve uma educação severa e quis compensar?
Sim. Não entendia porque minha mãe me limitava tanto. Era tão comportada.

Ele quis chamar sua atenção?
Terá que perguntar a ele. Mas se os nossos filhos se machucam, e alguns de forma irreversível, não é por causa do erro materno. Nós éramos ignorantes e continuamos sendo. Hoje meu filho faz um trabalho de conscientização para pais e professores. É solicitado em escolas e ambientes de trabalho.

E hoje ele vai te dirigir?
Ele é o iluminador e faz produção. Já trabalhou com diretores importantes e o chamei para me dirigir. Ainda vamos começar a peça. É o monólogo Eu me lembro, do Geraldo Mayrink e do Fernando Moreira Salles. A peça é para nós dois. O Hiran é de teatro como eu. Ele é um crítico detalhista do meu trabalho.

Sempre foi?
Sempre. Às vezes estou num período do trabalho que eu perco. E ele consegue me dizer. Às vezes, digo: Ai, meu Deus, pari machos! Significa ter uma convivência masculina dentro de casa. Preferia que eles me enxergassem um pouco mais como um homem do que como mulher. É curioso porque eu sou a famosa e eu seria, em tese, a estrela da família. Mas sou a espectadora. Você acha que numa casa com três homens há espaço para uma mulher ser estrela?

Eles se bastam?
São superentrosados, são machistas. Edson vai ficar com ódio porque é intelectual. São capazes de dizer: “Porque você é mulher, deve pensar assim”.

Não teve crise por ser avó?
Não. Fiquei encantada. Quando Carlos Eduardo (seis anos) começou a falar vovó, uma amiga perguntou por que eu deixava. Sugeriu que ele me chamasse de Irene. Não! a única pessoa que eu tenho para me chamar de avó é ele.

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