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Conto

O Caminho de San Giovanni
Ítalo Calvino é brilhante sem sair do território do trivial

Antonio Querino Neto

Estabelecer uma espécie de cartografia literária sobre os lugares não apenas visíveis, mas principalmente subjetivos, parece ser uma constante na obra de Ítalo Calvino (1923-1985). Os textos poéticos e reflexivos que compõem o livro O Caminho de San Giovanni (Companhia das Letras, 120 págs., R$ 19), já publicados isoladamente, exprimem essa faceta, também presente em livros como As Cidades Invisíveis, talvez sua obra prima.

O Caminho de San Giovanni é uma pequena coleção de textos (produzidos nas décadas de 60 e 70) de uma série intitulada “Exercícios de Memória”, ainda inacabada quando o autor faleceu.

Na obra, o escritor mapeia algumas de suas obsessões. Uma delas – talvez a primordial e anterior à própria leitura – é o cinema. Em “Autobiografia de um Espectador”, ele conta como seu fascínio pelo mítico cinema americano foi tolhido pelo fascismo para nunca mais retornar, já que após a guerra, nem o cinema nem ele continuariam os mesmos. Aqui, ele disserta também sobre essa sua necessidade de criar um espaço distante na imaginação, e em oposição a essa distância, fala da “proximidade absoluta” do cinema de Federico Fellini.

Membro do Partido Comunista até 1956, lembra num dos textos uma batalha na qual atuou como partigiano. Mas o que o move na verdade é uma batalha interna com sua própria lembrança, em suas idas e vindas. Por fim, desiste da memória real, tão vaga e insuficiente, delegando a tarefa do relato ao que chama de “memória da imaginação”. Somente um escritor com sua capacidade saberia recriar tão bem a memória de algo que nunca viu. Já no texto que dá título à obra, Calvino recorda a relação distante com o pai botânico em San Remo. Enquanto o pai só pensava em trilhar entre as plantas, o filho queria tomar o caminho oposto, em direção à cidade e à praia.

Nesses trajetos, Calvino mostra como o mais prosaico dos temas pode iluminar questões profundas. O texto “La Poubelle Agrée” pensa o significado do ato cotidiano e agradável (segundo ele) de se livrar dos resíduos domésticos. É a demonstração brilhante de como praticar grande literatura sem sair do território do trivial.

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