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Sociedade

Guerreira da cultura
Frances Reynolds Marinho, mulher de José Roberto Marinho, um dos herdeiros da rede Globo, traz obras de Velázquez pela primeira vez ao Brasil

Luís Edmundo Araújo

Leandro Pimentel
Em 1998, Frances Marinho trouxe de volta ao País o Abaporu, de Tarsila do Amaral, que Constantini arrematou anos antes num leilão em Nova York por US$ 1 milhão

Nos últimos quatro meses, a empresária Frances Reynolds Marinho, 44 anos, viajou a cada onze dias para Madri, na Espanha. Em suas estadas na capital espanhola instalou-se num canto improvisado do Museu do Prado para redigir uma carta de apresentação à comissão de notáveis da instituição. Só sossegou quando obteve autorização para trazer ao Brasil, pela primeira vez, obras de Velázquez para a exposição Esplendores da Espanha. A mostra reunirá em julho, no Museu Nacional de Belas Artes, obras de El Greco e outras 150 dos principais artistas espanhóis do período entre 1580 e 1640.

Táticas de convencimento como esta passaram a ser comuns na vida de Frances há dois anos, quando trocou o ramo da distribuição de filmes para a televisão para produzir exposições de arte no eixo Argentina-Brasil, através de sua empresa, a Arte Viva. Nascida em Buenos Aires, ela trocou a capital portenha pelo Rio depois de conhecer José Roberto Marinho, um dos herdeiros das Organizações Globo, com quem se casou há nove anos. Sua exposição de estréia, com a coleção do argentino Eduardo Constantini, em 1998, no Museu de Arte Moderna do Rio, foi uma prévia de sua obstinação. Na ocasião, ela conseguiu trazer de volta ao país o Abaporu, de Tarsila do Amaral, que Constantini arrematara anos antes num leilão em Nova York por US$ 1 milhão. No ano seguinte, foi a vez da Coleção Gelman, com obras dos mexicanos Diego Rivera e Frida Kahlo, para o Paço Imperial, no Rio.

Para garantir a nova empreitada, Frances conseguiu verbas da prefeitura para reformar o Museu Nacional de Belas Artes. Numa das idas à Espanha, deu uma esticada até a Catedral de Orihuela, em Alicante, onde usou a lábia para convencer o bispo responsável a liberar As Tentações de São Tomás, de Velázquez, exposto no museu da catedral. A exposição de arte espanhola está segurada em US$ 150 milhões. Em sua breve carreira no ramo das artes plásticas, Frances acaba de abocanhar o prêmio de Melhor Mostra Estrangeira de 1999, conferido pela Associação de Críticos de Arte da Argentina, pela exposição de Tunga que levou para o Centro Cultural Recoleta, em Buenos Aires. “Ela é hoje uma das maiores incentivadoras da cultura no País”, diz a artista plástica Adriana Varejão, 35 anos.

Tanto trabalho acabou afastando-a dos filhos Isabela, 8, e Inácio, 6. “Sou mãe coruja. Não tenho tido tempo para ficar com eles do jeito que eu gostaria”. Formada em Administração de Empresas e Marketing, a argentina com jeito de carioca já morou na Inglaterra e na Suíça, quando trabalhava na comercialização de filmes. Nos Estados Unidos, ela morou em Nova York, onde trabalhou para três gigantes do mercado de distribuição de filmes, a Warner Bros, Orion e Lorimar Telepictures. Em uma das inúmeras viagens a negócios para as capitais sul-americanas, Frances estava no escritório do publicitário Paulo Salles, no Rio, quando encontrou José Roberto, amigo de Paulo. Um ano depois, em 1991, os dois estavam casados. Mas o sobrenome Marinho, segundo ela, não facilita seu trabalho. “A pessoa pode ser um Rockfeller, mas não vai conseguir nada se não fizer o trabalho bem feito”, afirma.

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