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Divulgação

Léo Rosa, protagonista de
Vidas Opostas: capítulos com
cara de videoclipe e cinema

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Vidas Opostas
Texto de Marcílio Moraes traça crítica ao Brasil de hoje no
melhor produto de dramaturgia já lançado pela Record
Ana Paula Alfano
 

Vidas Opostas, nova novela das 22h da Record, é o melhor produto que a emissora já lançou e, pelos primeiros capítulos, tem potencial para realmente preocupar a Rede Globo. A forma não deve nada às novelas da emissora líder. A produção é quase impecável, com cartões-postais do Rio de Janeiro e de Portugal (onde se passam algumas cenas dos primeiros capítulos), cenários mais próximos da vida real (em outras novelas da casa, eles são sempre tão arrumadinhos que tudo parece muito faz-de-conta) e iluminação e fotografia corretas (finalmente a Record conseguiu!). A câmera nervosa, a edição bastante picotada e a trilha vibrante dão aos capítulos uma cara de videoclipe. Às vezes até de cinema – é inevitável lembrar de Missão: Impossível 2, na cena em que o protagonista, Miguel (Léo Rosa), aparece escalando um penhasco, ou de Cidade de Deus, nos momentos de conflito no morro (os atores Leandro Firmino e Phellipe Haagensen também são os mesmos da produção de Fernando Meirelles).

Mas é no conteúdo que está o maior mérito da novela. O texto de Marcilio Moraes traça uma crítica ao Brasil de hoje, com policiais e empresários corruptos, a guerra do tráfico nos morros cariocas, inocentes morrendo de bala perdida. O autor precisa prestar atenção em alguns estereótipos e clichês. Ainda assim, o que se viu na primeira semana parece ser suficiente para muita dor de cabeça para a Globo. Concorrente de peso.