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“Já tive vibrador, agora não
estou mais precisando. Acho
que todas as mulheres devem
ter um. É divertido, uma
solução legal”, diz ela
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Carreira
As alternativas de Patricya

A atriz e apresentadora lança livro, diz que
já teve crise por fazer várias coisas ao mesmo
tempo e critica o padrão de beleza de hoje
texto Carla Felícia
foto Leandro Pimentel
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Atriz, apresentadora, escritora e roteirista, Patricya Travassos, 54 anos, já teve momentos de crise em função desta gama de títulos. Temia fazer muitas coisas ao mesmo tempo e acabar não fazendo nada direito. O tempo, porém, a fez ver nessa habilidade de se multiplicar em várias um dom. Hoje, festeja dez anos do Alternativa Saúde, programa que apresenta no GNT, lança seu terceiro livro, Monstra, uma coletânea de crônicas, e prepara o roteiro do especial de fim de ano da apresentadora Xuxa na Globo. Casada há um ano com o produtor musical Liminha, ela é mãe de Nicolau, 16, da união com o autor Euclydes Marinho.

Vegetariana – “Sou vegetariana desde os sete anos. Tinha horror
de comer bicho. Mas como minha taxa de açúcar no sangue está desnivelada, tenho de fazer uma dieta mais protéica e comecei a comer peixe de vez em quando, com dificuldade. Só como dois
tipos: linguado e robalo, que não têm gosto de peixe. Gosto de comer em restaurante porque o peixe vem disfarçado. Mas tenho horror quando o garçom vem com o peixe morto para mostrar, com aquele olho, aquela boca.”

Zen – “Não sou nada zen. Sou pavio curtésimo. Mas hoje estou bem mais tolerante. Antes, qualquer coisa podia mudar meu humor. Não suporto injustiça, gente negligente, que não faz o que tem que fazer. Detesto alguns tipos funcionário público. Quando tinha que tirar documento, pensava: ‘Vou tomar um calmante senão vou brigar’. Quem é pavio curto, será pavio curto a vida inteira, mas isso agora está muito mais administrado.”

50 anos – “Difícil essa idade em que estou, porque você começa a mudar. É uma realidade, a gente envelhece. Não tem mais o viço dos vinte anos. Minha avó dizia que velhice não é uma ladeira que você vai descendo, são degraus. Tem o dia do degrau, que você acorda de manhã e fala: ‘caraca, desci um degrau’. Não tive crise dos 50, mas me assusto com o número, é pesado. É óbvio que é mais legal ser jovem. Mas não voltaria um dia para trás.”

Padrão de beleza – “É uma m. As lojas só têm tamanhos 36, 38 e 40, e chamam isso de P, M e G. Você pede o GG e não entra. É horrível, inventaram essa mulher mínima. Chego nas lojas e falo: ‘Vocês têm tamanho de seres humanos ou só de duendes?’. Não estou na onda dessa coisa magérrima. Não sou e nunca fui.”

Conforto – “Você acha que vou acampar em algum lugar? Transar
na areia? Não tem a menor condição. Já não gostava antes. Agora então, gosto de hotel cinco estrelas, champanhe, edredom de pluma, água quente, jacuzzi. Adoro e prezo o conforto, bons vinhos. A gente vai ficando bem mais exigente com tudo. Se é para comer uma coisa que engorda, tem que ser the best. Não vou comprar vinho Sangue de Boi, lasanha congelada. Se vamos comer uma massa, vamos no melhor restaurante.”

Namoro – “Já esperei muito do lado do telefone. Hoje, eu ligo. Tenho mais confiança em mim e menos medo de ser rejeitada. Não preciso mais que alguém fale que sou legal. Eu me sinto legal. Se o cara não quiser, não quis. Claro que é desagradável, ninguém gosta. Mas não fica um trauma. Não quero mais namorar cafajeste. Já namorei muito esses galinhas. Já soube de traição, já traí, com galinha a gente faz revanche (risos).”

Sexo – “Sexo é fundamental, mas não tenho que praticar todo dia. Já fiquei muito tempo sem transar, na boa. Posso ficar meses. Nunca apelei para garoto de programa, não tenho a menor vontade de transar com uma pessoa que não conheço. Mas sou completamente liberal nessa coisa de sexo, tudo é válido, tudo é brincadeira de adulto. Já tive vibrador, agora não estou mais precisando (risos). Acho que todas as mulheres devem ter um. Mulher é muito travada, é bom ir numa loja dessas, destravar. É divertido, uma solução legal.”