A corte
 
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por Cecília Maia
 
.: O jeito feminino de fazer polìtica
No estilo guerreiro e combativo, Ana Júlia, governadora eleita no Pará e Vilma
Farias, reeleita no Rio Grande do Norte, comemoram a vitória no segundo turno
Sérgio Castro/Agência Estado/AE
Vilma Farias, a "mulher guerreira": ela
foi reeleita apesar da pressão das
fortes oligarquias do Rio Grande do
Norte. "Disseram que iam me
massacrar, mas venci"
Para as governadoras eleitas Vilma Farias, do Rio Grande do Norte, e Ana Júlia Carepa, do Pará, essa eleição teve gosto especial. “Foi uma briga de Davi contra Golias”, disse Ana Júlia, que leva o PT pela primeira vez ao governo do Estado. Mas a frase poderia ter sido dita por Vilma, do PSB, reeleita para o cargo, apesar da pressão de duas fortes oligarquias do Estado: os Maia e os Alves. “Eles disseram que iam me massacrar. Não foi fácil, mas venci”, disse orgulhosa a mulher-guerreira, como é conhecida em Natal, onde foi três vezes prefeita antes de tornar-se governadora. O segredo? “Trabalhar muito e cumprir as promessas. Dei moradia e renda aos pobres”, diz.

No Pará, a emoção tomou conta da casa dos Carepa. Arthur, pai da governadora eleita Ana Júlia, reuniu família e amigos na hora da apuração dos votos. Mandou fazer um almoço típico: manissoba, moqueca de caranguejo e açaí com torta de cupuaçu de sobremesa. Estava eufórico e nervoso. Quando saiu o resultado da pesquisa de boca-de-urna dando vitória à sua única filha entre sete homens, passou mal.

Dida Sampaio/Agência Estado/AE
Ana Júlia contra os gigantes: a primeira mulher a governar o Pará, ela fará questão que os coronéis da PM batam continência para ela

“Levaram-no para o quarto. Um dos filhos é médico e cuidou dele”, contou a comadre da governadora, Edilza Fontes. Arthur revelou que quando jovem, filiado ao antigo MDB, pensou em ser candidato ao governo. “Minha filha está realizando meu sonho”, disse, entre lágrimas. Ana Júlia, num misto de entusiasmo e emoção, prometia diante de todos: “Não serei conhecida apenas como a primeira mulher e primeira petista no governo, mas como a governadora que redistribuiu a renda no Estado”, dizia. Famosa pela bravura, ela ria com amigos no domingo das agressões “machistas” da campanha. “Imagine que alguns coronéis da PM andaram comentando por aí como eles iriam bater continência a uma mulher”, contava aos convidados.“Vão ter que bater sim.”

.: A derrota de Roseana Sarney e de Denise Frossard
Leopoldo Silva
Roseana levou na esportiva: "Eleição é assim mesmo. Faltou voto"
Em comum elas colecionam vitórias eleitorais. Têm garra e enfrentam com virulência a campanha política. Mas apesar do empenho, Roseana Sarney, do PFL do Maranhão, e Denise Frossard, do PPS do Rio de Janeiro, perderam pela primeira vez na vida uma eleição. Frossard está a menos tempo na vida política. Foi juíza federal durante 14 anos e ganhou notoriedade quando incriminou os cabeças do Jogo do Bicho carioca, o que lhe rendeu uma boa votação na eleição de 2002 para deputada federal. No domingo 29, fechou-se em seu apartamento na Lagoa para acompanhar sozinha a apuração dos votos. Não demonstrou emoção. Tranqüila, reconheceu a derrota e se reuniu com deputados do PFL para cuidar do futuro. “Conversamos sobre a parceria PFL/PPS para as eleições de 2010”, disse o líder do PFL, Rodrigo Maia. Roseana, mais experiente, conteve a tristeza.
Tasso Marcelo/Agência Estado/AE
Frossard fechou-se em casa para acompanhar a apuração dos votos
Assim que percebeu que os números da apuração não lhe ajudariam mais, ela se recolheu no quarto de sua casa em São Luís. Ficou ali sozinha por uns 30 minutos enquanto a família e os amigos, num total de 60 pessoas, esperavam na sala de visitas. Quando voltou deu um sorriso e sentenciou: “Eleição é assim mesmo, uns perdem outros ganham. Nós perdemos”. Tranqüila ainda, foi consolar o pai, o senador José Sarney, que estava transtornado. Em 40 anos de vida política, foi a primeira vez que ele perdeu uma eleição no Estado. Aos jornalistas Roseana brincou: “Faltou voto”. Na segunda feira, 30, depois de mandar telegramas de congratulações para as mulheres que se elegeram governadoras, a senadora foi descansar na fazenda de um amigo, onde fica até o final do feriado. Roseana ainda vai cumprir mais quatro anos do mandato de senadora. “Vou continuar apoiando o governo Lula”, disse ela evitando falar sobre sua possível saída do PFL.