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A escultora de corpos famosos
A cirurgiã plástica Ana Helena Patrus diz por que a Clínica Santé, sua e do marido, o também médico Leonard Bannet, é a preferida das estrelas

Alessandra Nalio

Piti Reali
Ana Helena (de pé) com o marido, Leonard Bannet: "Eu e todos os cirurgiões do Brasil queríamos aumentar os seios da Xuxa

Quando cursava o terceiro ano da faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, há 16 anos, Ana Helena Patrus assistiu à cirurgia de lipoaspiração da irmã mais nova, numa clínica em Belo Horizonte. Esse tipo de operação era feito de maneira precária e perigosa, se comparado aos métodos modernos atuais, mas a estudante descobriu ali a sua vocação. Hoje, aos 35 anos, Ana Helena é sócia de um dos mais sofisticados centros de cirurgia plástica do País, a Clínica Santé, em São Paulo, e a cirurgiã preferida de artistas famosos. Pelos seus bisturis já passaram Vera Fischer, Lucélia Santos, a mulher de Pelé, Assíria do Nascimento, Scheila Carvalho, do É o Tchan!. E, mais recentemente, Xuxa e Gugu Liberato. O apresentador do SBT deixou a clínica na quarta-feira 12, depois de retirar 2,5 litros de gordura da barriga e corrigir o septo nasal.

A internação de Xuxa, há duas semanas, para a lipoaspiração de 1,8 litro de gordura do abdome, cintura e pernas e implante de próteses de silicone de 150 mililitros nos seios, foi a evidência mais forte de que o prestígio da clínica foi recuperado. Há quatro anos, a Santé perdeu os clientes. A debandada foi causada pelo rumoroso incidente com a modelo Cláudia Liz, que ali se internara para fazer uma lipoaspiração. Cláudia teve reação alérgica à anestesia peridural. Ana Helena foi acusada de erro médico e a clínica de não estar devidamente aparelhada, mas depois se comprovou que não houve imperícia. “Cláudia foi prontamente atendida e por isso está viva”, diz a música.

Hoje, Ana Helena comemora a volta dos clientes ilustres, entre os quais a apresentadora Xuxa, que ela sempre sonhou em operar – a ponto de projetar um dos quartos, com porta blindada, pensando nela. “Eu e todos os cirurgiões do Brasil queríamos aumentar os seios da Xuxa”, diz. Gugu elogia a clínica: “Senti segurança nos dois, eles são criteriosos e conseguiram sanar todas as minhas dúvidas. Por isso optei pela Santé.”

Dona de um olhar exigente, Ana Helena diz que, se sentar cinco minutos em frente à tevê – diversão rara para quem trabalha até 16 horas por dia – quer mudar a aparência de “umas 20 pessoas”. Entre os em que gostaria de “dar um retoque” estão Suzana Alves e Adriane Galisteu. “Elas deveriam pôr próteses nos seios.”

Inaugurada há oito anos, a Santé é ligada ao Hospital Alvorada e possui três salas de cirurgia onde são feitas de três a quatro operações diárias. Uma das mais procuradas, a colocação de próteses de silicone custa R$ 3 mil. Cerca de 10% dos pacientes atendidos por mês são artistas e outros 10% pessoas que não podem pagar. “Temos clientes em casas de pau-a-pique, no sertão da Bahia.” A idéia de montar a clínica foi do marido de Ana Helena, o também cirurgião plástico Leonard Bannet, 50 anos. Estão casados há 11 e foi por causa dele que Ana Helena mudou-se para São Paulo.

A volta da clientela à Santé deve-se também ao boom da plástica. No ano passado, o número de cirurgias de mama aumentou 300%. “Chegou a faltar silicone no mercado”, lembra ela. A franqueza com os pacientes é uma norma seguida à risca na Santé. “Quando acho que a cirurgia não é indicada, eu falo”, diz Leonard, que demoveu Assíria da idéia
de uma plástica no rosto. Já Lucélia Santos, eles convenceu a fazer a lipo.

A mulher que esculpe corpos, por ironia do destino, está impedida de cuidar da própria forma. Ana Helena não possui uma substância, a catecolamina, que mantém a pressão arterial. A sua ausência aumenta os riscos da cirurgia. “Serei sempre gordinha. Mas me realizo através dos pacientes”, diz. Há dois anos, ela fez lipoaspiração na filha mais velha, hoje com 15 anos. “Foi muito bom, antes ela tinha medo de tudo, hoje é extremamente extrovertida”, conta a médica, que pretende operar
o nariz da filha mais nova, de nove anos.

Mas as filhas, hoje, preocupam os pais por outro motivo. Há alguns meses, elas sofreram ameaça de seqüestro e por causa disso os médicos omitem valores. Não revelam, por exemplo, quanto cobraram pela cirurgia de Xuxa. Mesmo assim, a situação atual em nada lembra a de 1996, quando faltou dinheiro para o colégio das filhas. “Fazíamos vaquinha entre os funcionários para comprar carne para o almoço”, conta Ana Helena.

 

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