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Carreira

O empreiteiro da música
Dono de construtora e imobiliária em São Paulo, o engenheiro Paulo Kauffmann tocou em navios e começa, aos 37 anos, carreira de cantor e compositor

Paula Quental

Guto Seixas
“Meu sonho é ser cantado nas ruas, impressionar as babás dos amiguinhos dos meus filhos”, diz Paul

Aos 10 anos, Paulo já compunha e tocava violão e piano. Era a atração nas festas da família. Mas na hora de se decidir por uma carreira, não resistiu à pressão dos pais e abandonou a vocação. Herdeiro de uma das dez maiores construtoras de São Paulo, Paulo Kauffmann formou-se engenheiro civil para comandar a empresa fundada por seu avô. Encarou a missão, mas não sem alguma rebeldia. Chegou a passar temporadas na Itália, estudando regência. Aos 23 anos, o pai cortou-lhe a mesada – e o estudante foi trabalhar por três meses num navio grego, como músico, para garantir seu sustento. “Adquiri grande bagagem como cantor da noite, que é quase um psicólogo”, diz ele, aos 37 anos, casado e pai de três filhos.

Na volta ao Brasil, Paulo mergulhou de cabeça nos negócios da família e tornou-se um bem sucedido empresário do ramo imobiliário, especializado em imóveis de alto padrão. Fez o grupo Kauffmann crescer, mas se entediou: “Só ganhar dinheiro não me satisfazia. Não dá para usar duas roupas num jantar”, conta. Resolveu, então, retomar a música. “Peguei no violão depois de dez anos e minha cabeça mudou. Sou a Cinderela ao contrário”, diz, ironizando a própria condição econômica privilegiada. Gravou um CD com tiragem de mil cópias, só para os amigos, e um segundo CD, com 12 músicas suas.

O que começou quase que por um capricho foi ficando mais sério. O CD ganhou a produção artística de Marco Camargo, o produtor de Roberto Carlos, apresentado ao engenheiro pelo amigo em comum Dudu Braga, filho de Roberto. Agora, Paulo incorporou um apelido e como cantor se apresenta como Paul Kauffmann. Ele negocia um contrato com uma grande gravadora. Sua música “Carente” toca há 20 dias, de duas a três vezes por dia, na rádio Nativa FM, de São Paulo, especializada em pop romântico. “Ele está agradando com o seu romantismo exacerbado”, diz Paulo Leme, um dos sócios da rádio. Em 23 de maio, Kauffmann apresenta-se no Palace, em São Paulo. E não espera ver na platéia os ricos engravatados com os quais costuma conviver: “Meu sonho é ser cantado nas ruas, impressionar as babás dos amiguinhos dos meus filhos”, diz.

 

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