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Internet
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Lobão, Maitê Proença, Lúcia Veríssimo e Mário Prata estão entre os artistas que testaram e comprovaram a internet como o mais poderoso veículo para criação e divulgação cultural
Gabriela Mellão

Como faz há 46 anos, o escritor e jornalista Mário Prata se prepara para mais uma aventura no mundo das letras. Depois de 24 livros publicados e centenas de artigos e ensaios para jornais e revistas, escrever uma obra deveria ser o equivalente a navegar em mares conhecidos. Mas desta vez, Prata experimenta a mesma sensação de novidade de seus tempos de garoto.

Essa saudável nostalgia – assim como a chance de protagonizar uma experiência inédita no mundo editorial – o escritor deve à internet. A partir do final de abril, Prata será o agente de uma aventura virtual e simultânea com o leitor. Ao começar a escrever o romance policial Anjos de Badaró, ele estará sendo vigiado por milhares de internautas. “Acho que a leitura simultânea pode me deixar mais preocupado com os possíveis erros de ortografia”, brinca.

A experiência acontece graças à comunicação de mão dupla inaugurada na era da rede mundial de computadores. Com suas infinitas conexões, a rede está interferindo na maneira de se pensar e produzir arte e vários segmentos da cultura estão buscando seus formatos digitais. A atriz Maitê Proença prepara-se para estrear uma fotonovela na Internet, a cantora Belô Velloso faz uma programação de rádio virtual e o músico Lobão apoiou-se na web para selar sua autonomia em relação às gravadoras.

“A web é uma vitrine poderosa. Meu disco aconteceu graças a ela”, diz o cantor e compositor Lobão, 42 anos. A Vida é Doce, seu primeiro CD independente, lançado em janeiro, foi encartado em uma revista e está disponível em bancas de jornais e lojas de discos virtuais. Já vendeu 50 mil cópias – mais do que seus últimos três trabalhos com uma gravadora. “A Vida é Doce parece uma nota desafinada zumbindo na orelha dos executivos da música”, alfineta Lobão, que está distribuindo outras 50 mil cópias e acha possível chegar ao disco de ouro – 100 mil cópias – até o fim do semestre. “Apesar das vendas em bancas serem mais significativas, a internet é uma artéria fundamental para a visibilidade. É a espinha dorsal do meu disco, responsável pela procura da mídia, grandes revistas, jornais e programas de tevê”.

Mesmo admitindo não saber ligar um computador, o artista acredita que a rede chegou para bagunçar o coreto das gravadoras. Sua previsão é que, em breve, só artistas “pré-fabricados” continuarão a depender da indústria fonográfica. “Quem precisar de alguém para idealizar um repertório ou um costume design vai necessitar do status de uma gravadora”, ironiza. “Mas um músico criativo, que sabe o que quer, vai viver bem só com a Internet”.


 

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