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Ação entre amigos
José Gregori, que freqüenta a casa de Fernando Henrique Cardoso há 40 anos, é o quarto ministro da Justiça, mas pode ficar apenas um ano no cargo

Cláudia Carneiro

Felipe Barra
“Não sou de pleitear as coisas para mim”, disfarça Gregori

O presidente Fernando Henrique Cardoso emplacou na terça-feira 11 o amigo José Gregori para suceder José Carlos Dias no cargo de ministro da Justiça, depois de uma espera de 5 anos e 3 meses do nomeado. Aos 69 anos, dos quais 45 como advogado, Gregori está realizando um sonho que cobiçou desde o início da era FHC. Mas pode durar pouco no cargo. Tudo vai depender da força política do PMDB no início de 2001, quando o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), deixará o posto com os olhos voltados para a pasta. “Não sou de pleitear as coisas para mim”, afirma Gregori.

Antes de ser nomeado ministro, José Gregori era o Secretário de Estado dos Direitos Humanos. Foi chefe de gabinete do ex-ministro Nelson Jobim e responsável pela elaboração da lei que indenizou as famílias de 373 desaparecidos políticos e do Plano Nacional de Direitos Humanos, lançado em 1996, que colocou o Brasil como o segundo país do mundo a ter um programa desse tipo. Foi também o primeiro brasileiro a ganhar o prêmio de direitos humanos da ONU, em dezembro de 1998.

José Gregori é um dos mais íntimos freqüentadores do Palácio da Alvorada. A aproximação com a família Cardoso começou em 1961. Gregori já advogava quando procurou o professor Fernando Henrique em sua casa em São Paulo, para assinar um manifesto pela reforma agrária. Depois de obter a assinatura do sociólogo, Gregori, já de saída e justificando o horário avançado, esbarrou com Ruth Cardoso chegando em casa. “Levei um susto porque era inusitado àquela época uma senhora chegar tal hora da noite em casa”, lembra Gregori. A antropóloga Ruth era professora de uma escola pública no bairro de Pinheiros e dava aulas todas as noites. Começou então uma longa amizade entre o casal Cardoso e Gregori e sua mulher Maria Helena, com quem é casado desde 1957.

Anos mais tarde, Ruth Cardoso passou a ser a orientadora da tese de Antropologia da filha de Gregori, Maria Filomena, 40 anos, chamada carinhosamente de Bibia pelos pais. O ministro tem outras duas filhas, a primogênita Maristela, 41 anos, e a caçula Maria Cecília, a Ticha, 37 anos. Ainda nos anos 60, os casais amigos compraram casas de veraneio em Ibiúna (SP). O ministro gosta de cozinhar e aprecia jazz e música erudita. Às vezes se arrisca em “arranhadas” no piano. “Tenho o maior complexo de não ter estudado o instrumento.”

 

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