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Literatura

Perseguida pelo desejo
A escritora americana Eve Ensler, autora de Monólogos da Vagina, em cartaz no Rio, está no Brasil para estudar lipoescultura

Viviane Rosalem

Leandro Pimentel
“Quero conversar com essa atriz brasileira, a Vera Fischer, que vive mexendo no corpo”, diz Eve Ensler, no Rio

Uma judia de 72 anos, moradora de Nova York, jamais experimentara um orgasmo até conversar com a dramaturga Eve Ensler, 46 anos, autora da peça Monólogos da Vagina, sucesso nos Estados Unidos em 1997 e atualmente em cartaz no Rio de Janeiro, no Teatro Clara Nunes. A senhora foi uma das 200 mulheres, de idades, profissões e nacionalidades diferentes, que Eve entrevistou antes de escrever o texto, encenado nos Estados Unidos pelas atrizes Susan Sarandon, Wynona Rider e Glenn Close. “Uma semana depois, ela me contou que teve o seu primeiro orgasmo no banho”, lembra a autora, que pela primeira vez visita o Brasil. A montagem brasileira, dirigida por Miguel Falabella, tem no elenco Zezé Polessa, Cláudia Rodrigues e Vera Setta.

A idéia de escrever Monólogos da Vagina, que virou livro e acaba de ser lançado no Brasil pela Editora Bertrand Brasil, surgiu há cinco anos, quando a escritora conversava com amigas sobre menopausa. Ela percebeu que a maioria resistia em chamar o órgão sexual feminino pelo nome científico. “Vagina não é uma palavra pornográfica. É um termo médico, assim como cotovelo, mão, perna.” Durante sua pesquisa, Eve também se comoveu com histórias de mulheres mutiladas da Bósnia. “É um absurdo saber que ainda existem mulheres que não são donas do próprio órgão sexual”, diz. Mas a autora constatou que mesmo as liberadas muitas vezes ignoram o corpo. “Uma mulher de negócios me disse que não tinha tempo de olhar para sua vagina”, conta ela. Uma das espectadoras ilustres do espetáculo foi a primeira-dama americana, Hillary Clinton.

No livro, além de repressão sexual, Eve aborda temas como menstruação, relações homossexuais e maternidade. Uma das perguntas gerou respostas divertidas. A autora perguntou às 200 mulheres o que suas vaginas usariam se pudessem se vestir. “Algumas responderam que só usariam Armani, outras lantejoulas e outras saltos altos”, diverte-se. Casada há dez anos com o executivo Ariel Orr Jordan, Eve é mãe de um filho adotivo, Dylan McDermott, e avó de Colette, de 3 anos. Nessa viagem ao País, Eve pretende iniciar, no Rio, um novo estudo, que também diz respeito ao universo feminino: a lipoescultura. “Quero conversar bastante com essa atriz brasileira, a Vera Fischer, que vive mexendo no corpo”, afirma.

 

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