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Raul Cortez

“Sou um sedutor”
O ator se diz invejado por homens e não quer mais casar por achar anti-higiênico morar junto

Rosângela Honor

L. Pimentel
“A cena da banheira com Maria Fernanda foi terrível para mim, muito desagradável. Uma pessoa da minha idade ser exposta a uma situação como essa. Fiquei constrangido”

No momento, Raul Cortez, 68 anos de idade e 44 de carreira, saboreia o sucesso de seu personagem, o sedutor italiano Francesco Magliano, de Terra Nostra. O paulistano de Santo Amaro viveu mais de 60 personagens no cinema, no teatro e na tevê. Papéis que lhe renderam prêmios, como o Mambembe e o Molière. Na televisão, viveu tipos inesquecíveis, como o Geremias Berdinazi, em O Rei do Gado. Na pele de Francesco, contracenando com a bela Maria Fernanda Cândido, Cortez tem despertado a libido das mulheres e a inveja dos homens. “Sinto que elas me olham diferente e que eles gostariam de estar no meu lugar”, orgulha-se. Raul Cortez já foi casado duas vezes, a primeira com a atriz Célia Helena, com quem teve uma filha, Ligia Cortez, 39, que também se tornou atriz. De sua segunda união, com Tânia Caldas, nasceu Maria, hoje com 20 anos. Depois das duas experiências, Raul diz que não quer mais dividir o teto com outra pessoa. O ator mora em uma confortável casa no Jardim Marajoara, um bairro de classe média alta, em São Paulo. Quando está no Rio, se hospeda no hotel Caesar Park, de frente para o mar, na praia de Ipanema. “Depois de já ter passado fome, faço questão de conforto”, admite. Agora, Raul vai realizar o sonho de montar e produzir a peça Rei Lear, que deve estrear em agosto, em São Paulo.

Como as mulheres e os homens têm reagido ao seu personagem em Terra Nostra?
O Francesco desperta a libido nas mulheres. Já sou olhado de uma maneira um pouco diferente. Sinto que sou profundamente invejado pelos homens. Percebo que eles gostariam de estar no meu lugar. É muito divertido.

Como tem sido contracenar com a atriz Maria Fernanda Cândido?
O nosso encontro foi muito legal e extraordinário. Existe uma ótima química entre nós. Isso independe do fato de ser uma mulher bonita e mais jovem. É raro acontecer entre atores. Comigo aconteceu raríssimas vezes. Você entende a pessoa só pelo olhar.

Alguma cena te inibiu?
A da banheira foi terrível para mim, muito desagradável. Uma pessoa da minha idade ser exposta a uma situação como essa, dentro de uma banheira... Ainda mais numa novela vista por milhões de pessoas. Me deixou muito constrangido. Aí, fiz o que sempre faço quando me sinto constrangido ou amedrontado: enfrento de vez. Fui gravar de camiseta regata, fiquei logo de sunga e me enfiei na água. Foi maravilhoso. Não podemos colocar limites nos desejos, nas ambições, nos sonhos.

E a cena do beijo com a Maria Fernanda?
Não sei, pergunte a ela...

Estou perguntando a você...
Foi muito agradável, se não tivesse sido não estaríamos nos beijando até agora. Estamos nos dando maravilhosamente. Quando o Benedito não escreve cena de beijo, sinto falta. Porque existe um amor maravilhoso entre os dois personagens, foi o único casal que realmente deu certo.


Você se acha um sedutor?
Não é que eu ache. Sou um sedutor. Sinto isso, as pessoas ficam estranhas ao meu lado.

Você é muito assediado?
Sou.

Por homens ou por mulheres?
Por mulheres, por homem não dá. Como vai ser? Vão querer comer alguém da minha idade? Não, pelo amor de Deus, acho ridículo. Nem vem que não tem. Com as mulheres eu devo ter uma coisa especial qualquer que não sei bem o que é.

Que tipo de mulher te assedia?
Tem vários tipos. As gulosas, que querem saber como você é, conhecer. As carentes, que vêm melosas, falam muito delas, essas são terríveis, chatas... E tem as liberais, que dizem tudo, inclusive que não têm problemas. Mentira, são cheias de problemas. Gosto das mulheres de personalidade. Não gosto das que atacam, daquelas que dão medo e que você se pergunta: “Será que eu vou broxar?”

Quando jovem teve complexos?
Já tive complexos muito grandes. Tinha gente muito bonita na minha família, eu tinha o complexo do patinho feio. Quando se é adolescente, sofre-se muito com isso. Eu não achava nada de mim, na verdade achava que tinha de ser fabricado de novo. Percebi que precisava ter bagagem, que tinha alguma coisa na esquina que precisava conhecer.

Você fez a primeira cena de nu em teatro. Faria de novo?
Faço exercícios, nado, faço dança flamenca. Se tenho um corpo legal, por que não mostrá-lo? Claro que não vou posar para uma revista, mas no teatro não vejo problema, se houver necessidade.

Você também é cuidadoso com a alimentação?
Não ligo muito para comer. Como para viver. Não bebo cerveja e nem chope, não há hipótese. Aquela coisa de criar barriga, tenho pavor. Recentemente, parei de fumar e engordei dez quilos. Quando percebi que havia engordado, voltei a fumar imediatamente.

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