Entrevista  
‘‘É meio gay falar, mas tive um instinto de leoa com meu filho. Não tem prazer maior do que chegar em casa e entrar na banheira com ele. É a coisa mais gostosa do meu dia’’
• • •
• • •
Marcos Mion
‘‘Sou o maior trocador de fraldas’’
continuação

Nunca?
Nunca mais. Porque eu não tive vontade. Antes disso, ocasionalmente, uma vez ou outra.

Chegou ao ponto de pedir ajuda aos pais para parar?
Nas drogas, naquela época, pedi ajuda. Acabou exatamente numa
noite chorando no colo da minha mãe. Vi que ou eu dominava ou ia
ser dominado.

Foi para clínica de recuperação?
Não. Sempre fui forte, tipo, “eu vou superar”. Não foi fácil. É o que falei, até pouco tempo, vira e mexe, dava vontade. Mas eu sempre controlei.

Descobriu o amor verdadeiro com o filho?
Depois que vi o meu filho é que eu senti o que é o “eu morro por você”. O Romeo nasceu prematuro, de sete meses e meio. Ele ficou uma semana na UTI, na incubadora, foi uma barra. O bichinho, recém-nascido, horas depois que saiu do ventre, onde estava tudo quentinho, teve que pegar a veia dele com a agulha. Foi a primeira vez que chorei por uma dor que não estava sentindo.

O que os médicos disseram para você quando o Romeo nasceu?
Ele nasceu sentado, estava naquela posição “contato pélvico”, tinha uma luxação entre a coxa e o fêmur. Como nasceu prematuro, não deu para a osso do fêmur encaixar no quadril. É uma coisa 100% curável em todos os casos. Meus pais são médicos. Logo que ele nasceu, minha mãe cantou a bola, porque já tinha uma probabilidade, pelo tipo de parto. Os médicos disseram que ele teria que usar um aparelho, o pavlik (aparelho ortopédico que limita os movimentos do quadril do bebê). Com esse aparelho, em dois meses estava curado. Não teve drama.

É um pai superprotetor?
Eu sou. Quando ele estava na incubadora, ninguém podia pegar nele. Eu era o único que podia abrir a incubadora, tirar ele, levar para onde quer que seja. Sou superprotetor. Mas eu me controlo. Hoje em dia ele vai para o chão, faz tudo.

Você troca faldas, dá banho nele?
Eu sou o maior trocador de fraldas. Ágil, malandro. É meio gay falar, mas eu tive um instinto de leoa com meu filho (risos). E graças a Deus a Suzana também teve. Não tem prazer maior do que chegar na minha casa e entrar na banheira com ele. É a coisa mais gostosa do meu dia.

Suzana tem ciúmes da sua antiga fama de conquistador?
Ah, pouco. Suzana sabe onde ela amarrou o burro dela. Incomodou muito mais eu ter que beijar o Leonardo Bricio na peça (Camila Baker – A Saga Continua).

E você ficou incomodado em ter que beijá-lo?
Eu falo que nas primeiras vezes eu tinha que fechar o olho e fingir que estava beijando o meu cachorro (risos).