Entrevista  
“Eu tinha que fechar o olho e fingir que estava beijando o meu cachorro”, diz Mion, que beijou o ator Leonardo Bricio na peça Camila Baker – A Saga Continua
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CONTINUAÇÃO

O amor familiar
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Marcos Mion
‘‘Sou o maior trocador de fraldas’’
O apresentador da MTV estréia como ator de novela
na Record, conta que pediu ajuda à família para parar
com as drogas e se considera um pai superprotetor
Jonas Furtado
fotos: leandro pimentel

Marcos Chaib Mion, 27 anos, começou a carreira na televisão no seriado Sandy & Junior, na Globo. Aos 19 anos, estreou na MTV e rapidamente se tornou o VJ mais famoso da emissora. Sua ascensão meteórica o levou à Band em 2001 e lhe conferiu status de celebridade. Foi um namoro de três anos com final não muito feliz – ele acabou demitido por não ter dado o retorno esperado. Galanteador, colecionou conquistas como Carolina Magalhães e Preta Gil antes de conhecer a socialite Suzana Gullo, com quem está casado há um ano e teve o filho Romeo, de um ano e dois meses, que nasceu prematuro. Mion ficou de fora da tevê por um ano, tempo em que curtiu intensamente a vida noturna e diversificou seus negócios como empresário – é dono da boate Disco, do restaurante Casa Pizza e da Bling Me, empresa de customização com cristais que abriu recentemente com a esposa. Em 2005, retornou à MTV, onde apresenta o programa Covernation. Hoje, divide o tempo entre as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, onde grava a novela Bicho do Mato, da Rede Record, e até pouco tempo estava em cartaz com a peça Camila Baker – A Saga Continua, que marcou sua retomada da carreira como ator.

Como surgiu o convite para fazer Bicho do Mato?
É engraçado ter de lembrar as pessoas que sou ator. Fiquei dos 14 aos 18 anos todo santo dia dentro de um teatro, até que surgiu um convite para fazer Sandy & Junior na Globo, em 1999. Na época estava engajado com teatro político, tive que levar isso para a análise. “Será, meu Deus, que eu vou ter que fazer Sandy & Junior?” Percebi que nenhum extremo é bom. Não adiantava ficar gritando na praça para fazer teatro político e nunca ter uma experiência na televisão. Da Globo fui para a MTV, enveredei por esse lado de apresentador, mas sempre pensando em atuar de novo um dia. Até que chegou o convite do Fernando Guerreiro, para fazer a peça Camila Baker – precisava voltar para o teatro num projeto que fosse muito bom, para eu mostrar que sou ator, que minha praia é essa. E por causa da peça recebi uma ligação do produtor de casting da Record, falando que eles tinham uma novela nova e queriam muito que eu fizesse o vilão. Disseram que eu poderia continuar como apresentador da MTV. Fiz uma reunião (com diretores da MTV) e eles foram muito legais comigo. Viram o quanto era importante pra mim, e acharam por bem me liberar.

Ainda faz análise?
Não, fiz por 10 anos. Comecei com 14, depois que meu irmão mais velho faleceu (Marcelo Mion festejava com amigos a aprovacão em medicina na USP, e caiu no vão livre do Masp em 1993). Fiquei dois anos em depressão profunda, engordei 20 quilos num mês. Não tomei remédio, fui na raça.

O que você fez no ano em que ficou fora da televisão?
Quando me vi fora da televisão, com as coisas andando, pô, tirei um
ano de playboy. Meu dia começava lá pelo meio-dia, ligava para uns amigos para ver com quem eu ia almoçar. Almoçava, e aí ia ver algum negócio para abrir, ou ia para a academia, dava uma volta pela cidade,
ia ao shopping. Voltava para casa e começava a ligar para saber onde
ia ser a balada. Ia para a balada de segunda a segunda, chegava em casa umas quatro, cinco da manhã, dormia até o meio-dia – e isso se repetia todo santo dia.

Sua saída da MTV para a Band em 2001 foi amigável?
Não, não muito. A MTV entrou com um processo contra mim que foi violento – e está até hoje, não entendo por que (brinca, falando alto, para o microfone), mas eu sou processado e trabalho aqui. Por isso eu falo que é uma relação de marido e mulher. Quando eu saí, rolou um ressentimento. Quando eles me viram com outra, ficaram p. da vida.

Você pediu para retirarem o processo?
Conversamos por cima, mas, pô... Tá na hora de tirar, né? (risos)

Quando saiu da MTV para a Band ganhou a pecha de arrogante.
Não gosto de chamar a atenção. Quando namorava a Preta (Gil), estava com ela e o Gil num evento. Todo mundo falou do Gil, ele levantou, agradeceu as palmas. Quando falaram de mim, fiz com a cabeça rapidinho (repete o gesto), sorri meio sem graça. O Gil falou pra mim: “Você tem que aprender a receber aplausos, menino”. É uma coisa que me deixa sem graça. E às vezes pessoas consideram isso arrogância. E o personagem que eu fazia no Piores Clipes (programa que apresentou na MTV) era arrogante. Mas era um personagem. Não me suportaria daquele jeito 24 horas por dia.

Chegou a entrar de cabeça em bebidas, drogas?
Tive minha fase drogas antes. Logo depois que perdi meu irmão tive uma fase meio pesada, estava numa depressão violenta. Foi a época que eu mais me experimentei com drogas. Para mim, foi necessário. Primeiro porque eu consegui largar, e isso é fundamental. E também porque eu consegui passar a experiência adiante. Não adianta você querer fazer palestra para os jovens, falar sobre drogas, se você nunca experimentou. Hoje, bebo uma coisa ou outra quando estou na minha boate, numa festa, adoro tomar um vinho. Mas depois que o Romeo nasceu, nunca mais encostei em maconha e em nenhuma droga.