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Superação em família

De volta às novelas – em Cidadão Brasileiro, da Record – após oito anos, Kito Junqueira conta como enfrentou, ao lado da filha, o drama da morte da ex-mulher em um seqüestro relâmpago
texto Diógenes Campanha
foto CLAUDIO GATTI
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O ator e a filha Natália: ele ficou um ano em depressão,
“olhando para o teto”, após o assassinato da ex-mulher
Lúcia Alvarez (à esq., no detalhe)

Quase todos os dias de Kito Junqueira vem sendo ocupados pelas gravações da novela Cidadão Brasileiro, da Record. Longe da tevê desde 1998, quando fez participações especiais no Você Decide e
na novela Por Amor, da Globo, ele voltou ao vídeo no papel do político Laércio, na trama assinada por Lauro César Muniz. Em casa depois de um dia de gravações, o ator de 58 anos passa as madrugadas escrevendo um novo projeto para a emissora, que acaba de
contratá-lo por três anos e já o escalou para a próxima novela das
20h, substituta de Cidadão. Além disso, está terminando as
filmagens de Topografia de um Desnudo, ao lado de Ney Latorraca
e Lima Duarte, e deve produzir e protagonizar, com a amiga Luiza Tomé, a peça Desencontros Clandestinos, prevista para janeiro de 2007. “Estou totalmente enterrado no meu trabalho, porque ele
ocupa a cabeça”, diz Kito.

Dedicar-se intensamente à profissão foi o remédio encontrado pelo ator e diretor para superar um drama que teve início em 23 de
fevereiro de 2003. Neste dia, ele estava em uma lanchonete com a filha Natália, quando o celular tocou. Do outro lado da linha, ouviu de um jornalista o relato de um seqüestro relâmpago, no qual a vítima,
a advogada Lúcia Alvarez, ex-mulher de Kito e mãe da garota, havia sido assassinada. “Essa experiência mudou meu interior, minha
forma de focar o mundo”, conta.

Seis meses depois do episódio, a publicitária Márcia Bini, com quem o ator estava casado havia 18 anos, pediu a separação. “A única coisa que me restou foi a Natália”, diz. Em busca de apoio mútuo, pai e filha – que moram juntos em São Paulo – às vezes chegaram a inverter os papéis. “Tinha dias que eu esperneava e chorava. A gente sentava, conversava e eu colocava para fora. Tinha dias que eu tive que fazer isso por ele”, conta Natália, que hoje tem 22 anos e é estudante de publicidade. “Saímos disso mais unidos que nunca.”

Depois de um ano em depressão, “olhando para o teto”, como ele diz, Kito voltou ao trabalho em 2004, protagonizando a peça O que Leva Bofetadas, dirigida por Antônio Abujamra. Após uma temporada de sucesso no palco, entrou em Cidadão Brasileiro. Na novela, o personagem de Kito vivia um relacionamento com uma amiga da filha. A atriz Suzana Alves, que interpreta Zezé, a filha, telefonou para Natália, perguntando como ela reagiria se o pai fizesse isso na vida real. “Respondi que daria uma surra na amiga, exatamente como acabou acontecendo na novela”, conta a estudante. Na vida real, no entanto, Kito está solteiro, pensando apenas em trabalho: “Estou direcionado para a minha carreira, que também é uma amante muito rigorosa. A única vantagem é que ela não fala nada e te dá um dinheirinho de vez em quando”, diz.