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Música

Fagner dá o maior apoio
Compositor lança disco ao vivo, diz que aparecer muito na tevê desgasta o artista e anuncia que será cabo eleitoral de Patrícia Gomes em Fortaleza

Ramiro Zwetsch

Amigo de Ciro Gomes, Fagner desmente ambições políticas: “Enquanto estiver lúcido, não serei político”

Era 1971, quando o jovem cearense Raimundo Fagner, com 21 anos, foi tentar a sorte em São Paulo, com um punhado de composições debaixo do braço. Ele se juntou em uma casa, na rua Oscar Freire, 1500, nos Jardins, zona sul de São Paulo, com mais quatro músicos do Ceará: Belchior, Ednardo e os menos conhecidos Cirino e Jorge Mello.

Mas para quem estava acostumado com o calor cearense, São Paulo não era nada aconchegante. “Eu não tinha nem calorias para agüentar aquele frio!”, conta Fagner. Numa manhã chuvosa, por um descuido de um operário que trabalhava na construção de um prédio ao lado, uma tábua caiu de um andaime e bateu em queda livre contra o telhado da casa onde moravam os cearenses. “Quando acordei, a tábua estava a 20 centímetros do meu rosto e só não caiu em mim porque ficou presa por madeiras do telhado”, lembra o compositor.

 


O susto serviu para ele arrumar as malas e se mudar para o Rio de Janeiro. Foi lá que teve a sorte de conhecer Elis Regina – com quem morou três meses – e ela logo gravou uma de suas canções. “Mucuripe” foi lançada em 1972 pela cantora e é uma das faixas presentes no disco duplo Ao Vivo, que Fagner, 49 anos, acaba de lançar. Seguindo a tendência do mercado fonográfico, gravadora e artista concordaram que o formato ao vivo seria o ideal para alavancar boas vendas. “Eu sinto que pode aparecer um recorde na minha carreira e estou a fim de correr para ver que barato é esse”, revela o compositor. O disco marca sua volta à gravadora Sony (antiga CBS), a mesma que o projetou no cenário musical.


Em 1973, ele gravou Manera, Fru Fru, Manera, seu primeiro LP, e, com prestígio na gravadora, o compositor produziu os discos de estréia de toda uma geração de nordestinos – que incluía Alceu Valença, Robertinho de Recife, Elba Ramalho e Zé Ramalho. O mecenato lhe rendeu o apelido de “cearense bem-sucedido”, um trocadilho com a sigla CBS. “Essa geração tinha uma identificação com o povão que a música do Nordeste nunca mais alcançou”, opina Fagner. “A geração atual, com Chico César, Lenine e Zeca Baleiro, tem muita qualidade, mas pouco apelo popular.”


O sucesso seguiu perseguindo o compositor nos quase 30 anos de carreira, com todos seus discos lançados passando da marca de 300 mil cópias vendidas e por quatro vezes ultrapassando a marca de 1 milhão. A credibilidade no meio musical possibilitou que ele gravasse com ídolos da música nordestina, como o sanfoneiro Dominguinhos e o poeta popular Patativa do Assaré. Em 1981, ele gravou Traduzir-se, álbum ambicioso em que promovia um encontro entre a força da música flamenca com a canção nordestina. Cantou com estrelas da música latina, como Mercedes Sosa e Ricardo Pachón, e o disco foi considerado pela crítica como um dos melhores de sua obra.


Na década de 90, no entanto, a carreira deu uma esfriada. “Nos últimos cinco anos, teve uma maresia minha, uma vontade de ficar lá no Ceará”, confidencia. “Tem hora que qualquer profissão enche o saco e o artista se desgasta aparecendo toda hora na tevê.”
Já faz tempo que Fagner tem um pé atrás com a televisão. Em 1973, ele foi convidado para cantar no Programa Flávio Cavalcanti, na Rede Globo, logo após lançar seu primeiro disco. Chegando lá, em vez de cantar, ele teve que tomar parte de um debate ao vivo, em que os participantes criticavam o seu trabalho. “Quando o programa acabou, eu corri atrás do Flávio Cavalcanti para dar umas porradas, mas não consegui pegá-lo”, lembra.


Além de trabalhar na divulgação de seu disco, Fagner planeja participar ativamente dos bastidores da política de seu Estado. Nas eleições presidenciais de 2002, ele pretende apoiar seu amigo Ciro Gomes. Enquanto isso, vai colaborar com a campanha eleitoral de Patrícia Gomes, ex-mulher de Ciro, se for confirmada sua candidatura à Prefeitura de Fortaleza, pelo PPS, este ano. Alguns integrantes do partido chegaram a cogitar o nome do compositor para formar a chapa, como vice-prefeito de Patrícia, mas ele prefere ajudar a amiga como cabo eleitoral. “Já fui convidado a me candidatar a vereador e deputado. Com minha popularidade aqui no Ceará, ganharia de lavada!”, aposta Fagner. “Mas enquanto eu estiver lúcido, não serei político.”

 

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