Logo
 
Livro
Ping-pong com Frei Betto
No recém-lançado A Mosca Azul (Rocco, 320 págs., R$ 32), ele faz uma reflexão sobre o poder e tenta explicar por que o governo se afastou de suas raízes
 
A mosca azul é uma metáfora ao poder que corrompe. Durante dois anos no governo Lula, como assessor especial do presidente e responsável pela Coordenação de Mobilização Social do programa Fome Zero, Frei Betto deparou com o inseto corruptor. No recém-lançado A Mosca Azul (Rocco, 320 págs., R$ 32), ele faz uma reflexão sobre o poder e tenta explicar por que o governo se afastou de suas raízes. Frei Betto falou a Gente.

Por que escrever A Mosca Azul?
Meus amigos psicanalistas dizem que a forma que encontrei de fazer terapia foi escrever. A primeira pergunta que eu queria responder é: “Por que o poder mexe tanto com as pessoas?”. Queria sobretudo analisar as causas mais profundas que levaram à crise ética do PT. Não é um livro de fulanização, de varejo. É um livro de atacado.

O presidente Lula foi picado pela mosca azul?
Acredito que não. Vou votar no Lula de novo porque acho que ele precisa completar o que está faltando, principalmente a reforma agrária.

Como o senhor julgou a queda do Palocci?
Tenho respeito pela figura dele, mas acho que foi um abuso injustificável. Tratou-se um caseiro, por ser caseiro, como se fosse um cidadão de segunda classe. O presidente fez bem em aceitar a demissão do ministro.

Qual foi o maior erro do governo Lula?
Foi se afastar dos movimentos populares. Não vejo futuro para o PT fora do mundo dos pobres.

O que o governo Lula fez de positivo?
As políticas sociais – o Fome Zero é melhor do que o próprio governo consegue anunciar –, a política externa altamente soberana, a estabilidade econômica e o fim da inflação.

O senhor pretende voltar ao poder público?
A minha trincheira de luta no mundo é a literatura. Acabei cedendo porque tinha a ver com os mais pobres do País, o Fome Zero. Gostei, mas concluí que ali não era o meu lugar.