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Saúde
Perigo para os esportistas
A síndrome do impacto no quadril afeta cada vez mais jovens que praticam futebol, tênis e corrida e o agravamento pode levar a artrose
 
Divulgação
Ricon: a SIQ levou Gustavo Kuerten à cirurgia

Adeptos de atividades físicas de impacto como tênis, corrida e futebol, que começam a sentir dores ou algum tipo de incômodo na virilha, devem ficar atentos e procurar um médico, pois podem estar sofrendo da síndrome do impacto no quadril, doença que já tirou o tenista Gustavo Kuerten temporariamente das quadras de tênis para se submeter a uma cirurgia.

O número de pacientes com quadro confirmado da síndrome, cujo agravamento pode levar a uma artrose, aumentou significativamente nos últimos anos. Com implicações sérias na vida social, produtiva e até sexual dos pacientes, a artrose de quadril acomete 10% da população e mais da metade da parcela de brasileiros com mais de 65 anos, segundo dados do Ministério da Saúde. Um detalhe relacionado à síndrome do impacto no quadril que chama atenção é a idade de boa parte dos pacientes que a apresentam, muitos deles entre 25 e 40 anos. Pode-se dizer também que os casos “registrados” da síndrome vêm aumentando porque os médicos ortopedistas encontram-se hoje mais informados sobre a doença e mais preparados para identificá-la.

Mas o fato é que a síndrome do impacto no quadril torna-se cada vez mais comum em indivíduos jovens, e isto é especialmente verdade nos esportistas. Na Suíça, governos e sociedades médicas estão hoje preocupados em diagnosticar o problema em estudantes ainda durante o ensino secundário ou superior com o intuito de tratá-lo logo, antes que ele evolua para a artrose.

O problema acontece na articulação entre uma concavidade do quadril chamada acetábulo e o fêmur, maior osso humano, localizado na coxa. A SIQ se desenvolve por causa do desgaste causado nesta articulação pelas atividades físicas de maior impacto, sobretudo em quem, por razões genéticas, já nasceu com um “pequeno defeito de fabricação” no encontro do acetábulo com o fêmur. O agravamento do desgaste na articulação acaba por configurar a doença.

Há dois tipos diferentes da síndrome do impacto no quadril, um mais comum em homens e outro em mulheres. Nos dois casos, os sinais mais evidentes costumam ser dores na virilha, nas nádegas e na face lateral do quadril, que podem se irradiar para a coxa e joelho. Se uma pessoa pratica esporte ou exercícios físicos mais intensos e começa a sentir essas dores não deve pensar duas vezes e procurar logo um especialista. Realizado normalmente com exame clínico e radiológico, o diagnóstico nem sempre é fácil.

Por ainda ser desconhecida de muitos médicos, a doença quase não entra no rol das suspeitas a serem investigadas. Mas se for diagnosticada e tratada adequadamente, a SIQ dificilmente progredirá. Portanto, quem pratica – ou deseja praticar – atividades físicas deve procurar um médico para saber se apresenta alguma restrição, e também ao sentir dores, a fim de descobrir as causas.

* Rincon Jr. é ortopedista especialista em quadril, diretor do Centro Ortopédico de Ipanema, no Rio de Janeiro, e membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia.