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Hollywood
"O terrorismo sempre fez parte da minha vida"
A atriz israelense Natalie Portman, protagonista de V de Vingança, que faz referências ao medo pós-11 de Setembro, confessa que pensou em apenas produzir e dirigir filmes
 

Na sala reservada para as entrevistas do filme V de Vingança, em um hotel de Los Angeles, entra uma jovem mignon, de calça jeans e camiseta básica. Ela é Natalie Portman, que pede uma água e senta-se sobre as pernas, diante de meia dúzia de jornalistas. Discreta, quase tímida e dona de uma beleza acentuada ainda mais pelos cabelos curtíssimos, a atriz nascida em Jerusalém há 24 anos lança opiniões fortes para falar de Evey, a protagonista do longa de James McTeigue. A trama de V de Vingança faz referências ao medo que assola o mundo desde 11 de setembro de 2001, um assunto que Natalie confessa ter crescido ouvindo seus pais falarem. “Um filme como V de Vingança pode não trazer soluções, mas ajuda a pensar sobre o assunto”, diz a atriz.

A estrela que despontou como a princesa Amidala de Star Wars: Episódio 1 – A Ameaça Fantasma deixou Israel para morar com os pais, um médico e uma artista plástica, nos Estados Unidos, ainda no final da infância. Aluna aplicada, fala cinco idiomas com fluência. “O pessoal exagera. Eu falo um pouco de cada. Bem mesmo, eu falo é inglês”, brinca ela. Como uma amante das letras, Natalie busca na literatura a ferramenta para compor suas personagens. “Para fazer a stripper de Closer – Perto Demais, por exemplo, eu devorei Fragmentos de um Discurso Amoroso, de Roland Barthes”, conta a atriz. Mesmo não sendo fã de histórias em quadrinhos, Natalie leu e releu a graphic novel de Alan Moore e David Lloyd que inspirou V de Vingança. “Eu gostei, mas não faz meu gênero”, desconversa ela.

Quem pensa que nada balança o ego de uma estrela engana-se. Em uma das cenas de V de Vingança, Natalie tem os cabelos raspados com máquina zero. Na primeira vez em que se olhou no espelho, a atriz que já namorou o ator Gael García Bernal e conquistou o público masculino com as sensuais cenas de Closer se sentiu feia. “Parecia um joãozinho. Só pensava em como agüentaria o visual”, confessa Natalie. “Acho que acabei me acostumando e também me convenceram de que eu tinha ficado bem. Recebia tantos elogios que não acredito que as pessoas estivessem sendo apenas simpáticas.”

Uma atriz de opiniões fortes
Terrorismo “O terrorismo sempre fez parte da minha vida. Nasci e passei a infância em Israel e vivia essa preocupação na minha casa. Hoje, o extremismo está em todo lugar e preocupa qualquer país”

Hollywood “Não me interesso por produções que visem unicamente o entretenimento. Quero fazer filmes que mexam com o público”

Imprensa “Quero falar sobre filmes. E jornalistas sempre querem falar sobre meus relacionamentos, minha família ou meus cachorros”

Profissão “Depois de Closer eu me questionei se meu lugar no cinema era como atriz. Pensei em só produzir ou dirigir filmes. Mas Milos Forman e Dustin Hoffman me fizeram mudar de idéia. Forman me dirigiu em Goya’s Ghosts e com Hoffman atuei em Mr. Magorium's Wonder Emporium. Eles me deram tantas dicas. Descobri que quero ser atriz pelo resto da vida”