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Reportagem
O fim do reinado de Alexandra, A Grande
Separada do governador do Maranhão, José Reynaldo, a mulher que desafiou os Sarney mudou-se para Brasília e diz que guarda dossiê para se proteger
 
O Estado do Maranhão não tem mais uma primeira dama. A polêmica, bonita e incômoda Alexandra Miguel Cruz Tavares, 32 anos, não é mais esposa do governador José Reynaldo Tavares, 56 anos. Desde o fim de dezembro, Alexandra decidiu morar em Brasília e abrir um escritório de advocacia. Deixou para trás o marido, o cargo de secretária extraordinária de Solidariedade Humana do Estado e uma vida em palácios, festas e alta sociedade. “Não há litígio”, esclareceu a Gente. “Foi uma decisão tomada em conjunto, de forma madura e muito segura.” O casal passou o Natal e o Ano Novo em Brasília e depois disso ela não voltou mais a São Luís, a não ser para buscar suas coisas e trancar um curso de mestrado. “Não dava mais, acho que éramos o único casal no mundo que depois de um dia pesado de trabalho levava todos os problemas do governo para a cama”, conta. “Isso acaba com qualquer casamento.”

Foi o fim de uma relação que durou 13 anos, gerou três filhas (as gêmeas Júlia e Juliana, de 8 anos, e Eduarda, 6 anos), e deu o que falar. Começou quando Alexandra tinha 19 anos. Sonhava com a carreira de aeromoça e exercia a profissão no jatinho particular de um empreiteiro. José Reynaldo era um político famoso, que se preparava para ser candidato a vice-governador no Maranhão, e era casado, havia 27 anos. Eles se conheceram num vôo, se apaixonaram e viveram um romance às escondidas por um ano, até que José Reynaldo se separou pelo novo amor. “Quando assumimos nossa relação, entrei na campanha política dele de cabeça”, lembra. “Fiz discursos sem nunca ter subido antes num palanque, enfrentei multidões e a minha timidez.” Ao arregaçar as mangas e mostrar serviço, Alexandra achou que agradava. Mas, após a vitória, que colocou Roseana Sarney no governo e José Reynaldo como vice, ela ouviu do chefe político do grupo do marido, José Sarney, que deveria se afastar da vida pública. “Ele ainda me disse que estava dando um conselho de pai”, conta.

Mais tarde, José Reynaldo tentou nomear a mulher para o seu gabinete, mas ela foi vetada pela então governadora Roseana Sarney. Triste, Alexandra se recolheu, foi cursar Direito e abriu uma loja num shopping da cidade. Mas não se calou. Tanto fez carga contra o clã mais poderoso do Maranhão no ouvido do marido que 8 anos depois José Reynaldo viria a romper com seu padrinho político de toda uma vida: o senador José Sarney. “Mostrei ao meu marido que ele estava sendo usado. Eles (os Sarney) queriam continuar mandando no governo”, ataca. A briga se tornou pública e Alexandra por tudo isso ganhou o apelido de “A Grande”, numa referência ao personagem histórico, Alexandre, o Grande.

Hoje, em sua casa alugada em Brasília, ela diz guardar um dossiê contra Sarney. “Não farei nada, mas se tentarem contra mim, tenho como me defender”, diz. Do mundo político ficaram lembranças e uma certeza: “Chega de política, não quero mais essa vida. Quero ser uma pessoa normal”.