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Livro
Mentiras no Divã
Irvin D. Yalom discute ética em trama envolvente de recorte cinematográfico
 

Mentiras no Divã (Ediouro, 404 págs., R$ 49,90), o novo romance do psiquiatra e escritor norte-americano Irvin D. Yalom, chega com a expressiva tiragem de 20 mil exemplares, quando a média do mercado brasileiro raramente ultrapassa os 5 mil. A aposta se deve ao sucesso de Quando Nietzsche Chorou e A Cura de Schopenhauer e, se depender da narrativa de Yalom, o lançamento deve seduzir um número maior ainda de leitores.

Psiquiatria e ética estão na pauta. Com termos e referências técnicas facilmente digeridas, o autor discute até que ponto o terapeuta é apenas um profissional ou um ser humano vulnerável às tentações. Na astuta teia narrativa estão três terapeutas e o relacionamento com seus pacientes. Como um voyeur dessas situações, o leitor se enreda na ansiedade de descobrir o que realmente pretende cada um daqueles sujeitos e contribui para que Yalom exercite plenamente a técnica de fazer mais um
best-seller.

São várias as qualidades de Mentiras no Divã. A principal delas é o recorte quase cinematográfico de suas tramas, com uma agilidade rara de ser encontrada em livros prontos para vender. Mas, como o risco deve ser calculado, a história de Yalom perde um pouco o brilho ao vender uma imagem moralista do sexo, desenhado como um monstro que arruina vidas e deturpa o caráter alheio. Terapia ética