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Cinema
Boleiros 2
Com elenco renomado, filme peca no excesso de assuntos
 
Divulgação
Boleiros 2: menos nostálgico e mais ácido
que o anterior
Os habitués do antigo bar do Aurélio continuam lá, sentados à mesa, pondo lenha nas conversas sobre futebol, regadas a cerveja. Mas agora, oito anos após Boleiros, eles assistem, ilhados no mezanino superior, ao novo estado de coisas, para eles desolador. Depois da reforma, a ambiência “modernosa” (brega e, talvez involuntariamente, artificial) é espaço dos novos ídolos do futebol, esses incensados pela mídia e acompanhados de suas marias-chuteiras. O mundo fora dali é pior, com corrupção, empresários canalhas e juventude perdida. Fica claro que Boleiros 2 – Vencedores e Vencidos afastou-se da bem-humorada e nostálgica crônica do primeiro e aproximou-se da acidez de O Príncipe, do mesmo Ugo Giorgetti, que era um painel desolador
do País.

Tal visão cética sobre os tempos modernos não é o problema de Boleiros 2, mas sim a tentativa de pintar um painel que vai além do futebol. Ainda contando com o magnífico elenco anterior, de Flavio Migliaccio a Otavio Augusto, novos personagens entram em cena para ilustrar um pouco a perdição existencial do Brasil. No meio disso tudo, há ainda três historietas um tanto desoladoras envolvendo o futebol, ou seja, material demais para uma dramaturgia que não consegue articular questões, num filme que quer comentar (verbalmente) sobre muitas coisas e pouco quer mostrar, em sua estética tímida. Na trave