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Reportagem
A vez de Gustavo Falcão
Companheiro de Lázaro Ramos, Wagner Moura e Vladimir Brichta na peça A Máquina, ator protagoniza filme baseado no espetáculo, está em outros dois longas e faz a próxima novela das sete
 

Eram quatro os Antônios de A Máquina, todos desconhecidos. Depois da peça, Wagner Moura e Lázaro Ramos entraram com tudo no cinema. Vladimir Brichta virou galã. Já Gustavo Falcão fez um papel na novela As Filhas da Mãe e teatro. Não estourou. “Toda a mudança que a peça tinha provocado na minha vida já estava de bom tamanho. Eu não parei de trabalhar, só não fiz coisas de tanta projeção”, diz Gustavo. Mas, agora, parece que chegou a sua vez.

Ele foi escolhido para ser o único Antônio do longa A Máquina. “Foi oportuno o fato de Wagner, Lázaro e Vladimir ficarem muito conhecidos, e Gustavo não. Parece que ele estava esperando para fazer o filme”, diz o diretor João Falcão, que é tio de Gustavo. Nepotismo? “Eu acredito que podem ter pensado, não posso fazer nada. Para mim, nunca teve isso, muito pelo contrário. Estava no meio daquela galera que é muito boa. Tudo tinha que funcionar bem”, afirma ele sobre a peça, seu primeiro trabalho com o tio – com quem Gustavo tinha contato esporádico antes de virar ator.

O teatro entrou na vida do pernambucano de 29 anos no intervalo entre o ensino médio e a faculdade. Aprovado no vestibular de Publicidade, Gustavo foi fazer teatro com a irmã Karina, um ano mais nova. A primeira peça que encenaram, Muito pelo Contrário, em 1994, era de João, mas o tio não chegou a assisti-la. Fisgado, Gustavo cogitou não cursar a faculdade. Os pais, a médica Tânia e o professor de equitação Eduardo, se preocuparam – apesar de músicos amadores serem freqüentes na família. O ator admite que, aí sim, João, já fora do Recife, ajudou. “Ele era um modelo que estava dando certo. João abriu essa porteira. E por ela começamos a passar”, completa, referindo-se a ele próprio, à irmã Karina, atriz e cantora, e ao irmão Leo,
cineasta. Apenas Eduardo, o mais velho, não seguiu carreira artística – é químico.

Mas foi só em 1999 que o diretor conheceu o ator. Um dia antes da estréia de Para um Amor no Recife, o pai de Gustavo morreu num acidente de cavalo. Uma semana mais tarde, quando a estréia aconteceu, João estava lá para assistir o sobrinho pela primeira vez. E o chamou para fazer A Máquina. Após a temporada carioca da peça, o ator continuou no Rio, fazendo teatro e a novela, mas não cinema. Até João escolhê-lo, Gustavo só tinha feito curtas. Apesar de conhecer o texto de trás para a frente, para viver o Antônio do filme passou uma semana em Nova Olinda, na região do Cariri. “Foi bom para reviver um sentimento que eu já tinha”, diz ele, que, na infância, passava férias numa fazenda. Gustavo, que é casado com a atriz e acrobata Juliana Féres, rodou outros dois filmes: Árido Movie, de Lírio Ferreira, que estréia na sexta 14, e Fica Comigo Esta Noite, também de João Falcão. E, em breve, volta à tevê em Cobras & Lagartos, próxima novela das sete, fazendo um seminarista que é tentado pela herança familiar: seu pai é um ladrão. Bem diferente da herança familiar de
seu intérprete.